quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A Bela Adormecida




Adormecida te espero;
Em um quarto de Torre me encontro;
Selada em nome do amor...

As Paredes não me prendem acredite;
Elas me protegem meu príncipe;
Me reservam para ti...

Simplesmente só poderia ser você;
Quero que seja o primeiro a quem vou ver;
De qualquer forma só vejo você...

Lutar com meus dragões para me tirar do abismo;
Atravessar os espinhos;
Correr para me encontrar;
Subir os degraus da conquista;
Cumprir sua missão e me achar...

Estarei esperando, meu amor;
Tinha que ser você;
Me apaixonei por você em meus sonhos...

Te tornei minha espera e esperei;
Te tornei meu poema, declamei;
Te tornei minha canção, te cantei...

Da janela olhei o horizonte;
No silencio ergui mil palácios;
Da espera refiz meus pedaços;
Do Eterno tirei meu consolo;

Dos meus sonhos tirei a Magia;
Sempre soube que era mais que Utopia...
Então espero... 
Ansiosa espero, pelo beijo que despertará o amor.


Maíra Carneiro

segunda-feira, 20 de maio de 2013


"Sol"berano


Sol, tu que és tão forte,

Tão imponente...

Traz sensações mista, de prazer e alegria.

De harmonia, de cansaço e desgasto, 

Que se perde na monótona rotina

Que se desenvolve e se cria no dia a dia.

Calor... Calor... Calor...

Pela manhã aquece-me com fulgor, 

Ao meio-dia torna-se meu horror.

Vê-lo nascendo sob a despedida saudosa,

De uma noite voluptuosa,

Causa-me espanto, enche-me de encanto,

Conforme vai chegando ao nosso encontro.

Despontando raios vitais,

Sobrepondo-se sobre nós mortais.

Vejo-o adornando o azul perene, 

Com tons laranjais solene.

Sol... “Solberano!”

Soberano da alvorada,

Imperadora do dia,

Gladiador crepuscular,

És sol. És vida!


                                     



Pai


                                     Pai... queria dizer em versos

As coisas mais belas, porém confesso...

Todavia, a vida me trouxe a agonia
De tua ausência quebrando nosso elo.



À porta da esperança esperei teu retorno, 

Tal qual o servo a espera de seu senhor.
Pedi ao tempo que parasse, até mesmo retornasse
Àquele tempo em que me cobrias de amor.



Pai... teu zelo noutro tempo, 

Tornou-me dependente de teu afeto.
Recorri aos artifícios do choro,
As artimanhas da infância, 
Para que não deixasse nosso teto.



Pai... às vezes me pergunto,

O que fiz para merecer, 
Entregando-me a mercê,
De tanto sofrimento com o teu partir.
Hoje, mais uma vez, 
A dor bateu 
Ao me lembrar de ti.



Na ausência do tempo presente,

Recorro ao passado e o trago à mente.
Recordo-me dos passeios a cada fim de tarde,
Das histórias ao cair da noite
E das imitações dos personagens, 
Como se você os fosse.



Contava-me os dedinhos dos pés,

E como avião fazia-me plainar,
Depois de beijos me cobria,
E, enfim, dizias “ Fique com os anjos a sonhar.”



Pai... por que parece ignorar minha existência?

Por que de mim se esqueceu?
Será que não se lembra da promessa,
Que , antes de partir, prometeu?



Fico pensando em algumas coisas do tipo

“Será que ele ainda se importa comigo?”
Sei que já não sou mais aquela garotinha,
Mas preciso de ti, meu amigo.



Às vezes um sentimento

Estranho me consome.
É a inveja que tenho de meus irmãos,
Por serem teus dois únicos homens.



Eles desfrutam do sabor

Da tua companhia,
Quanto a mim...
Escrevo esses versos
Para quem sabe...
Possas ler um dia.



Pai...será que tu me amas...?

Bem...disso não duvido.
Mas...bem que poderia 
Por gestos demonstrar 
Aquilo que eu preciso.



Pai...

Queria poder dizer-te 
As coisas mais belas nesses versos.
Mas a tristeza me consome.
Só não me esqueças, é o que lhe peço.
Enquanto isso...continuo aqui,
Naquele mesmo lugar,
Debaixo do mesmo teto.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Contornos



O vento beija-lhe a face rosada
Ela admira o futuro incerto
Junta forças de lugares obscuros
Teima em extinguir a fantasia
Matar alguém dentro de si
Cheia de vida e histórias
Cheia de sonhos, memórias
Repleta de tudo
Completa de nada...

Comprou as cores que quis
Canetas, lápis e giz
E atirou na parede nívea
Contornos se formaram
Pessoas se criavam
Lembranças imergiam
Crianças em árvores
Subiam...

Do tudo nada ficou
A família virou risos distantes
Às tardinhas de quinta
Sem protocolo, sem regras
Cada um trazia o que lhe aprazia
Eram histórias e poemas
Seus heróis e princesas
Ideias acesas
Sem grilhões, sem algemas...

Do nada tudo ficou
Fiquei de resto
Observando o mar
Tentando alegrar uma criança
Que ainda espera
Que o impossível aconteça...



De Marcelo Souza para Maia Carneiro

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Noiva para sempre adormecida




Sepulcral, silencio religioso,
Imundo cheiro mofoso.
Na madeira envernizada,
Sem véu, cabelos soltos no nada.
Brilhantes, pretos e esvoaçantes.
Doce e para sempre congelada,
No seu estado de mais profunda graça.
Que mal fizeram os amantes?
Abatida por nenhuma razão.
Perdida mesmo antes de entregar seu coração,
Sucumbida na mais triste desgraça.
Estava a noiva no seu caixão.
Sua tez pálida no contraste da escuridão.
Nas suas mãos o bouquet e na face o sorriso.
Muito mais lágrimas do que seria preciso.
Mas a moça inspirava compaixão,
Dor, tristeza e insatisfação.
Tão nova e tão linda...
O vestido rendado não lhe faz justiça.
Cadáver e ainda vítima de cobiça.
Por isso a morte a quis na mão.
Lábios rubros que perdem a cor,
Seu noivo quebra-se sem pudor.
Uma vida sem começo se finda.
Ela parece de cristal,
Floco de neve numa igreja.
Sem mais pegadas de amor no litoral.
É Deus que assim o deseja!


Helena Ribeiro

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Farsa





Sou uma farsa que se comporta,
Na linha torta do bom viver.
Sou o escândalo escancarado,
Porém maquiado para ninguém o ver.
Sou a vertigem embaçada...
Sou a ferida mal curada.
Sou a inércia...por vezes, finjo ser certa.
Sou o oposto do gosto,
Sou o desgosto que ninguém vê.
Na esquina eu dobro,
As regras ignoro,
Nos meus atos extrapolo,
porque sou o que não sou,
E se o sou é, porque não sei ser como eu deveria ser.
Sou o scracho do escarnio,
No qual deliberadamente eu caio,
Os degraus do que é certo,
Porque mesmo sem querer eu erro,
Mas as vezes querendo errar não acerto,
Pois esse é o meu jeito de ser.
Me entrego ao jogo,
Sem regras eu jogo,
Mesmo sabendo que talvez eu possa padecer.


Mey Almeida

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

[Tha nos Livros] Carta a Lady Alicia de seu amor




- Lady Alicia, desde sua primeira carta, fui cativado por sua inteligência e perspicácia. Desde nosso primeiro encontro, fui enfeitiçado por seus belos olhos e sua inegável graça. Desde o primeiro dia, primeira hora, primeiro momento — tenho sido bombardeado por "primeiros". A primeira vez que a ouvi rir. A primeira vez que a fiz chorar. O primeiro gosto de seus lábios. A primeira carícia em sua pele. O primeiro sopro de calor num coração mantido por tempo demais no frio e na escuridão.

O príncipe fez uma breve pausa para saborear o efeito das palavras, não só em Alicia, mas em todos os convidados, antes de prosseguir com a leitura.

 - Não entendo como vivi tantos anos na mais completa solidão. Onde havia generosidade, eu via negligência. Onde havia confiança, via manipulação. Onde havia amor, eu procurava mentiras. Tive o ouro do sol em minhas mãos e tratei-o como bronze. Com toda razão, você o tirou de mim... e levou-o para longe.

Alicia ouvia as batidas fortes do coração ecoando nos ouvidos, e quase não percebeu as palavras de uma mulher sentada perto dela.
— Que coisa mais linda! — a mulher murmurou. — Tão apaixonado!

O comentário da senhora não interrompeu George, que continuou lendo:

- Acreditei que eu me conhecia. Um homem realizado, com controle total de si mesmo e de todos que o cercavam. Mas eu era frio, tão frio que havia gelo dentro de mim. Sua força e seu calor deixaram-me assustado, irritado, vulnerável. Eu temia que, ao me derreter no seu calor, não sobrasse nada de mim... no entanto, não posso me afastar de você. Como a mariposa que morre ao redor da chama de uma vela, não consigo ficar longe de você.
Com a sua vivacidade, você despertou em mim um novo homem. Um homem capaz de viver e florescer graças ao seu coração generoso.
Quero mais de você do que tenho direito. Mas você viverá melhor sem mim do que comigo. Por isso, não pedirei nada. Só quero dizer-lhe que você me transformou. O mundo não me reconhecerá, pois não sou mais o mesmo homem de antes. O mundo ganhará mais com este novo homem, e estarei eternamente em débito com você.
Desejo que sua vida seja sempre radiante e alegre como eternos verões e não a culpo por ter espantado o inverno escuro que havia dentro de mim.
Adeus, Alicia, meu amor.

Seu para sempre, Wyndham

De Adorável Mentirosa
(Seducing the Spy)
 Celeste Bradley

 

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