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domingo, 10 de abril de 2016

[Conto] Feitos de Pó e Espírito.


Imagem retirada do site: O Caminho a Cristo


   Era uma vez, um homem, uma mulher e dois Espíritos. O Primeiro Espírito era santo e justo, o outro era perverso e injusto. O homem e a mulher eram do Primeiro Espírito. Ele os sonhara e os criara a partir da terra.

     Foram feitos de pó e espírito...

   O segundo espírito era uma criação rebelde do Primeiro, formado de ideia e Éter, ele se tornara petulante e se corrompera antes de existir o tempo.
Usurpando o papel de criador construiu a mais perversa das armas, algo que poderia parecer doce, mas envenenaria cada alma que lhe acolhesse, consumindo-a. Geraria vicio e medo, tornaria os homens maus como ele e por fim os mataria, a essa arma o Espírito Rebelde deu o nome de mentira.

   Encantados com doce sabor da mentira o homem e a mulher esqueceram a verdade e o amor ensinados pelo Espírito Santo, tornaram-se tolos, passaram a desprezar a si mesmos entregando-se aos prazeres corruptos da carne e acreditando na mentira do mau espírito, chamaram isso de liberdade.

   Para selar a emancipação a mentira abriu um abismo entre o Bom Espírito e o homem e a mulher, ilhando-os em um circo de prazer e horror.
Cada vez mais entretidos em seu alegre sofrimento, seus descendentes esqueceram quem lhes havia dado a vida.

   O Primeiro Espírito chorou por sua criação e se irou por causa do grande abismo que os impedia de se aproximarem para lembrarem-se Dele. E tal era o amor que seus ciúmes causaram grande impacto no restante de sua criação que com grande clamor se levantou em tempestade e fogo.

Entretanto por causa deste mesmo Amor, o Primeiro Espírito em seu papel criador, arquitetou uma ponte, criada a partir de si mesmo, se doou, se diminuiu e se limitou para ser ponte, uma ponte que era capaz de buscar seus caminhantes, que seria caminho e luz, pão e água, suficiente para devolver ao homem e a mulher a chance de estar do lado certo do abismo. Como um vento, Ele soprou sua voz como um chamado para aqueles que se tornassem sensíveis para ouvir.

Essa ponte foi feita de carne e sangue.

Então iniciou-se a batalha do homem contra si mesmo, tentando decidir seu lugar no mundo, alguns lutam contra o veneno do segundo espírito, vão até a ponte e recebem como presente a esperança, caminham dia após dia na carne e sangue do Espírito Santo, chamando outros para caminharem ao seu lado.

A batalha continua ininterruptamente e assim será o caminho dos homens, graças a sua escolha.


Entretanto o Primeiro Espírito jurou ser também o Ultimo, e arquitetou um fim para a batalha, guardando um lugar para aqueles que resolveram atravessar a ponte. E quando o vento sopra diferente pode-se ouvir o Chamado Dele, convidando-nos a atravessar a Ponte.


Maíra Carneiro

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

[Poema] Aquela Pirata



Aquela pirata atravessa as ondas sorrindo
Depois de tantas tempestades ela continua sozinha
Aquela pirata se afastou de tudo para observar de longe
Mas continua voltando para perto
Aquela Pirata resolveu ir com o Vento
A vida para ela agora é cheia de surpresas
Ela sonha com uma onda que a levará a alguém
Porque essa pirata cansou de nadar até o nada, 
Ela espera pela vontade do Vento
Arruma suas velas e se prepara para mais uma tormenta
Aquela pirata não sonha com o fim da tempestade, 
Ela somente sonha com outras mãos para segurar as velas


Maíra Carneiro

domingo, 25 de janeiro de 2015

[Resenha] Alice

Olá blogueiros... Estou de volta com mais uma resenha, Um livro infantil porque tem o poder de despertar mentes, um clássico para mostrar que crianças são sempre crianças.




Vamos falar de “Alice”(Lewis Carrol).

Enredo

Alice no País das Maravilhas – Alice vê um coelho branco, o que é comum, ele está vestido de forma elegante, o que de alguma forma, não a surpreende, mas... Espere! Ele parece estar olhando obcecadamente para o relógio! Isso sim que é uma surpresa e Alice resolve seguir o Animal para dentro do seu mundo fantástico dominado por uma Rainha de copas nada amorosa, um chapeleiro maluco de um jeito próprio muito sábio e um chá da tarde parado no tempo, e todos eles fazem parte de um mesmo baralho.

Alice Através do espelho – A gatinha de Alice é muito indisciplinada e precisa de correção, enquanto passa um sermão na pequena, repara que através do espelho existe um mundo muito semelhante e ao mesmo tempo muito diferente do seu, entrando neste reino, Alice recebe uma missão que se cumprida a transformará em rainha...

Pontos fracos e fortes

Para quem já viu vários filmes e desenhos de Alice no País das maravilhas e espera uma grande aventura... Continue nos filmes. Alice é um livro infantil e a história é curtinha da forma mais apropriada para o seu público alvo. Quando li “No país das Maravilhas” cometi o erro de esperar uma grande jornada e fiquei no vácuo.
Ainda assim a linguagem da história é bem simples e direta sem deixar de ser bela, o que torna o enredo ainda mais atraente, o Chapeleiro é um bônus, ele e a lebre de março me parecem os seres mais racionais de toda a história e encontrei algumas pérolas nas conversas entre eles.

Falando de “Através do espelho” vou entrar em um mundo ainda mais fantástico, eu como leitora, gostei muito mais da segunda história, as personagens, bem como a trajetória de Alice parecem mais focadas já que ela tem um objetivo para o fim. E sim, eu sei que a história é um non-sense.

O que mais posso dizer? Gostei do livro e não da personagem? A menina Alice é uma garotinha mimada e insuportável (fui muito rude? Bem, o que esperavam de uma raposa pirata?), teimosa demais em coisas pequenas, ela pode ter engolido todo o baralho e todo o xadrez porque com certeza tem alguns reis na barriga, mas ao mesmo tempo, não tem como não gostar das personagens que interagem com ela, Humpty Dumpty com seu corpo redondo, se equilibrando em um muro, simplesmente confiando na promessa de alguém, o grifo rindo das ilusões da rainha, mas sem destruí-las porque não fazem mal a ninguém, o rei que perdoa a todos os que a rainha quer condenar, simplesmente porque não precisa levar as coisas tão a sério...

Alice vale muito a pena para se dar de presente para seus filhos, sobrinhos e demais crianças de sua convivência e se você confessar como eu, que não faz mal abraçar a infância de vez em quando, você também pode ter seu volume de Alice na estante... Eu tenho o meu.

Separei algumas das minhas frases preferidas no livro para vocês:

“Sei quem eu era quando me levantei esta manhã, mas acho que já passei por varias mudanças desde então”

“ – Que Engraçado. – Onde está a graça? (Perguntou Alice) – Ora, nela. (disse o Grifo) é tudo fantasia dela, nunca executam ninguém.”

“Idem, Ibdem!”

“Quando eu uso uma palavra... Ela significa exatamente o que eu quero que signifique, nem mais, nem menos.”

Mesmo que a resenha já esteja um pouco grande, achei necessário falar da edição que eu tenho, como é um clássico, você pode encontrar centenas (e acredito que não exagero) de versões tanto dos volumes juntos quanto separados, estou cobiçando uma dúzia deles (risos). Mas para quem não é bibliomaníaco como eu e para quem uma versão basta, indico a que eu já possuo, a edição de bolso de luxo dos Clássicos Zahar, ela é muito linda, com capa dura, consequentemente um pouco mais resistente se estiver endereçado a uma criança, as ilustrações são originais do Tenniel, ou seja, foram selecionadas dentre as da primeira edição, as letras tem um bom tamanho e tiveram todo um cuidado com os detalhes. O preço médio dessa versão é 15 reais.


Titulo: Alice
Autora: CARROLL, Lewis
Número de Páginas: 317 (na minha versão)
ISBN: 978-85-378-0172-7
Editora: Zahar (Novamente, faço referencia a minha versão, existem muitas outras)

Onde Comprar
http://www.buscape.com.br/alice-aventuras-de-alice-no-pais-das-maravilhas-e-atraves-do-espe-lewis-carrol-8537801720.html#precos

Nota





segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

[Conto] O Verbo, o Poeta e a Trovadora




Estou acostumada a começar contos com era uma vez... Mas este não é um conto de fadas. É tenso, é triste e um pouco travado. Não garanto uma leitura agradável. Não garanto a beleza da prosa nem versos elaborados... Eu só continuo aqui, com esperança de que ele faça alguma diferença. Não sou a pessoa mais indicada para escrevê-lo, talvez... Mas sou a única com o teclado sob as mãos.
Meu conto é sobre um poeta, um poeta que amava o mundo.
Meu conto é sobre um poeta, um que ainda assim odiava o mundo.
Sua vida não foi um mar de rosas, seus medos não foram acalmados, suas tristezas não foram consoladas, seus amigos não eram amigos e sua família não sabia nada sobre sua dor. Ele nem sempre foi um poeta, (e aqui alguns talvez discordem porque acreditam que poetas já nascem aos versos, mas eu acredito que a vida constrói um poeta.) Ele era somente um garoto como mil outros garotos, mas diferente de qualquer pessoa, era individual e assim fora criado, separado de outros em sua pequena bolha. Então um dia ele conheceu o mundo das letras, dos códigos e das palavras, e lá ele aprendeu que podia se recriar, e que podia se refazer e ainda ser ele mesmo. Aprendeu a brincar com palavras e a esconder-se dentro de si, ele aprendeu as rimas e as métricas e se encantou com a teoria de tudo e sobre tudo pela teoria, nunca pensou que fosse fácil viver, nunca aceitou as repostas simples e por isso se tornou um poeta, para vomitar de volta no mundo aquilo que o mundo o fazia engolir. Sua revolta cresceu e ele achava que tudo e nada eram o mesmo. Tentou desafiar o que ninguém venceu, tentou responder aquilo que só Deus sabia e debateu, e discutiu, porque concordar não era algo com que ele se sentisse bem. E lutou, mesmo que o oponente não soubesse que era um inimigo, então deixou de ser ele mesmo. Quis esconder dentro de si tudo aquilo que ainda considerava bom e tomou os vilões por heróis. O Poeta deixou para trás sua infância feliz; quando sua família o erguia no colo e o aconchegava. Sua família não podia se aproximar porque o que nos ama se supõe que nos destruirá, e ele tinha medo de aceitar esse amor, ele tinha medo de se tornar vulnerável porque o mundo já pisara e zombara dele em todos os aspectos, e tudo o que lhe restara fora sua arte, a arte que agora o consumia, as letras que agora o devoravam, a música que lhe oprimia e castigava seus sentidos, sentia-se preso, e a única forma de se livrar do tudo era lançá-lo no nada.


....


...


..


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O nada ganharia a batalha sem nem precisar lutar?
O pequeno poeta conhecia uma trovadora, uma pequena contadora de histórias que podia ler os corações das pessoas porque amava o Verbo e tinha o dom de encontrar palavras, mas a trovadora havia perdido suas palavras e por algum tempo não podia encontrá-las. Ela estava sozinha por muito tempo e havia guardado as palavras quando deveria tê-las entregue, assim seu dom adormeceu e as palavras ficaram perdidas, pois ela não podia ler corações tão bem quanto antes e por isso não sabia o que estava errado com seu amigo poeta, ela o amava, sabia que algo não estava bem, mas ela não sabia o que era, não conseguia descobrir...
Ela esperou que ele viesse, ela esperou que ele soubesse que ela estava lá, mas o poeta não estava. Então a trovadora chorou, chorou e implorou ao Verbo que trouxesse de volta as palavras para que ela soubesse o que estava errado com o poeta e pudesse ajudar. Ela não queria mais estar sozinha, ela queria de volta todas as palavras que perdera, ela queria ler corações porque fora boa nisso, e isso era tudo o que ela era boa fazendo.
Então por uma vez as palavras voltaram.

Hesitantes...

               Um Pouco sem jeito...

                              Um pouco de lado...

                                            Não as mais bonitas...

                                                           Talvez as mais úteis...


A trovadora conseguiu dizer o mais importante... Que ela estava lá para ele... Que ela trouxera o Verbo com ela... Que as palavras que ela recebera eram as melhores de todas, porque não lhe lançariam no nada... Nem mesmo o encheriam de tudo... Porque eram do Verbo, e o Verbo ia muito mais longe que a Teoria, Ele era o dono das Ações... Enquanto a teoria falava que abraços eram falsos... O Ato de Abraçar confortava... Enquanto a teoria revelava que muitos são os caminhos, os passos do Verbo iam sempre à mesma direção. Então o Poeta poderia ver que teorias mentem, mas Atos revelam...
Ela prometeu que se as palavras voltassem - se o Verbo deixasse - ela seria uma contadora melhor, que nunca mais se tornaria uma guardadora de histórias, que deixaria as palavras irem quando quisessem e aceitaria todas as palavras que viessem do Verbo, mas jamais recolheria palavras estranhas. A Trovadora chorou, implorou e esperou pelo poeta, para que ele voltasse e aprendesse palavras boas, para que ele contasse sua história e deixasse a beleza entrar em seus versos. Ela pediu perdão por nem sempre estar atenta às suas rimas...

E ela esperou...
Esperou...
Esperou...

Sempre guardando as melhores palavras e as mais doces para dar a ele... Para mostrar que elas existiam... Para suavizar sua dor...

A trovadora espera...

Espera...

E Espera...

Quando será que o poeta virá?



[De Maíra Carneiro para meu amigo Poeta, posso ser somente uma contadora de histórias, uma simples trovadora que de vez em quando perde suas palavras, mas tente lembrar-se sempre de que você pode muito mais que na Teoria, e que sempre vou esperar muito de você por que é essa a grande diferença dos amigos... Nós nunca perdemos a fé. Acredito em você! Apenas  deixe o Verbo lhe dar as palavras certas.]

PS: Confio que saibas que é pra ti, mesmo se não puser teu nome O.-


sábado, 29 de novembro de 2014

[Resenha] Garota, Interrompida

Olá Pessoas, estarei começando minhas resenhas hoje, então tenham paciência comigo e se querem fazer perguntas ou discutir sobre o livro façam-no nos comentários, agradecerei a ajuda...
Estarei avaliando os livros com notas de 1 a 5 baús de tesouro...

Enredo

Até onde vai o limite da sanidade? Até que ponto pode-se dizer, “Eu não estou louco”? Garota Interrompida conta a História da autora, ou melhor, um período da vida de Susanna Kaysen passado no hospital psiquiátrico, narrada em primeira pessoa, a história nos revela os pensamentos de alguém que conviveu e quem sabe, convive com o transtorno de personalidade limítrofe, por trás do diagnóstico e das opiniões dos psicólogos e psiquiatras existe um ponto de vista, talvez ainda mais profissional, daqueles que estiveram mais perto, mergulhados em um mundo somente visto por eles e interpretado de forma contraditória até mesmo para sua própria percepção.

Pontos Fortes e Fracos

• O livro nos faz pensar em como nos mantemos alheios às pessoas a nossa volta, seus problemas, seus traumas e todas as circunstancias que fazem o ser humano se tornar vulnerável e cruzar essa tênue linha entre a sanidade e a loucura. Em como algumas pessoas desejariam ter que enfrentar nossos problemas ao invés de ter de lutar contra o próprio cérebro em busca de clareza, algumas frases do livro me fizeram refletir durante um bom tempo, separei algumas delas:

“Seria a insanidade uma simples questão de parar de fingir?”

“Se você morasse aqui já estaria em casa” (devo dizer que não encontrei um sentido profundo nessa, eu
simplesmente achei inteligente e realmente gosto dela =D)

“Os tristes precisam ouvir o som da sua tristeza”

• A narrativa é simples então conseguimos compreender bem o que ela que dizer com cada frase, mesmo que os pensamentos confusos dificultem esta tarefa. Apesar de ser uma leitura gostosa, senti falta de certa ordem no texto, já que os fatos parecem ser narrados de forma aleatória sem muita preocupação com a cronologia em que as coisas acontecem, ainda assim eu super recomendo a leitura, um livro fácil que pode ser lido em um dia sem problema nenhum, mas que provavelmente levará bem mais tempo para ser “digerido” e analisado.

Informações sobre o livro:

Titulo: Garota, Interrompida
Autora: KAYSEN, Susanna
Número de Páginas: 189 (na minha versão)
ISBN: 978-85-670258-15-6
Editora: Única

Onde Comprar
http://www.buscape.com.br/garota-interrompida-susanna-kaysen-8573128623.html#precos

A minha versão é econômica e eu comprei na Avon, se eu não me engano custou 10 reais...


Nota:

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A Bela Adormecida




Adormecida te espero;
Em um quarto de Torre me encontro;
Selada em nome do amor...

As Paredes não me prendem acredite;
Elas me protegem meu príncipe;
Me reservam para ti...

Simplesmente só poderia ser você;
Quero que seja o primeiro a quem vou ver;
De qualquer forma só vejo você...

Lutar com meus dragões para me tirar do abismo;
Atravessar os espinhos;
Correr para me encontrar;
Subir os degraus da conquista;
Cumprir sua missão e me achar...

Estarei esperando, meu amor;
Tinha que ser você;
Me apaixonei por você em meus sonhos...

Te tornei minha espera e esperei;
Te tornei meu poema, declamei;
Te tornei minha canção, te cantei...

Da janela olhei o horizonte;
No silencio ergui mil palácios;
Da espera refiz meus pedaços;
Do Eterno tirei meu consolo;

Dos meus sonhos tirei a Magia;
Sempre soube que era mais que Utopia...
Então espero... 
Ansiosa espero, pelo beijo que despertará o amor.


Maíra Carneiro

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Vida No Mar - Conto 2 (Homenagem a Emilio Salgari)




As velas de Jhonny Rogers balançavam no ritmo do vento, hoje não havia batalhas a travar e a Bucaneira suspirou... Por fora sua face era tranquila e sem medo, por dentro as emoções a sufocavam de tal forma que só não surpreenderia uma pessoa no mundo...
O Guerreiro alto e forte de aparência viking se aproximou por trás do seu modo felino e silencioso, se Dill fosse um ser comum com certeza teria se assustado mas havia magia em seu sangue... E ela simplesmente suspirou outra vez ao ouvir a frase:
- Senhorita Dill, em quem estás a pensar hoje? – A pergunta não foi respondida, e nem precisou, Guardião Chakal, seu primeiro imediato e melhor amigo chegou mais perto e pode ver a pirata com a mão fechada em volta de algo que pendia de uma corrente em seu pescoço...
 - Entendi, a senhorita está pensando no cigano... – Ao ouvir tal frase, a Bucaneira abriu a mão, deixando ver a aliança que pendia da corrente de ouro
- É Chakal, estou pensando no meu marido...
- Seu marido está morto há anos Dill está na hora de esquecer... A senhorita era só uma criança nem sabia o que era o amor...
- Eu sabia o que era o amor naquela época Chakal, hoje é que eu não sei mais o que é. Meu coração morreu junto com o Rio...
- Não morreu não e você sabe disso, seu coração ainda está vivo e batendo por um tal...
- Cale-se Chakal! Rio foi meu marido e foi quem me ensinou a ser quem sou, quem me mostrou que podia sorrir e ser plenamente eu independente de que parte de mim... Ser fada, ser ogro, ser princesa e ser pirata ou cigana... Sou eu Chakal e ele faz parte de mim e sempre o fará... hoje fazem quatro anos que ele morreu...
- Agora entendo... Tudo bem capitã, vamos viajar para longe dessa vez... Te levarei a Tortuga para beber com os Flibusteiros...
- Não sei Chakal... Pensei em ir ver o Velho Luigi hoje...
- Não, não nada de ir ver os ciganos hoje, você pode vê-los em uma semana quando voltarmos de Tortuga.
- Nunca fui a essas aguas Chakal não é meu território.
- Isso mesmo, você precisa conhecer gente nova senhorita Dill.
- Ah, cale-se Chakal! Se quer tanto ir a Tortuga então mande os homens seguirem pra lá... Eu vou a minha cabine e depois resolvo sobre ir ver o ancião.
Dill não esperou resposta, seguiu para a cabine de queixo erguido como sempre, ninguém notaria que ela sofria, ninguém, exceto Chakal e Pérolasky notavam, quando entrou na cabine  não ficou como desejava a sós, a Princesa banida das Pérolas estava sentada em sua cama, obviamente esperando por ela...
- Não vai me contar o motivo dessa azedura que você está?
-  Não. Fora daqui Sky...
- Mas Dill... Aposto que o Chakal sabe...
- Então porque não pergunta pra ele?
- Ele tem permissão de me dizer?
- Que seja, diga               que dei permissão pra contar o que quer que seja...
- Vou voltar quando souber...
- Ah mas não vai mesmo se quiser ficar viva...
- Hummm, ameaçando-me de morte? Não deve estar tão ruim assim.
Um punhal voou em direção a princesa e cravou- se na parede dois dedos acima de sua cabeça.
- Ou talvez esteja ruim assim... Tudo bem Dill eu vou...


Dois dias depois aportavam em Tortuga casa oficial dos piratas Flibusteiros, Dill desceu do clipper e respirou fundo o ar salgado da Costa, estava distraída e o som de piratas lutando e lançando imprecações a sua volta não a abalava no mais mínimo. Era assim a vida no mar. Ouviu o grito estridente de Pérolasky e correu em direção a voz:
_ Pare Chakal! Gritava ela para o Guardião que brandia sua espada em direção a um homem desconhecido. – Não está vendo que estamos em território extrangeiro, não é nossa área! Vao mata-lo.
- Não se Preocupe Ma Cherri sou muito destro com a espada ferirei a muitos antes de partir.
- Chega! – O brado da Bucaneira ecoou de forma sinistra por toda a ilha. – Não viemos atrás de confusão Guardiao Chakal, embora nunca despreze uma boa luta hoje você vai se conter.
- Mas senhorita, este cão sarnento ousa insultar a capita de meu navio dizendo nunca ter ouvido falar nesta Tal Bucaneira Dill.
- Isso só quer dizer que tenho alcançado meu objetivo de permanecer em segredo marujo. Enfim, posso saber seu nome flibusteiro?
- Me chamo Carmaux. É um Prazer Senhora... Desculpe-me mas nunca tinha ouvido falar de uma mulher capitaneando um navio antes...
- Tudo bem marujo, logo descobrirás que não sou uma mulher comum. E a que tripulação pertences?
- A melhor, Senhora, a Tripulação do Corsário Negro!
- E o que faz essa tripulação ser assim tão boa?
De repente fez-se ouvir uma voz estrondosa atrás de Dill:
- Talvez o fato de que o Capitao não tolera traidores, você não é uma traidora é Senhorita?
- Senhora. E não, não sou uma traidora...
As palavras fugiram de Dill quando se virou para ver com quem falava... Ele era talvez o pirata mais bonito que ela já havia visto, os lábios pequenos e o nariz reto dignos do lord mais elegante contrastavam com seus olhos negros que pareciam queimar com tal intensidade, sua barba era curta e crespa e seus cabelos longos desciam ondulados até os ombros, Dill sentiu um arrepio na coluna e sem desviar os olhos dos dele percebeu que ele também parecia sentir o mesmo.  Era reconhecimento, o reconhecimento de duas pessoas que perderam o primordial em suas vidas e continuaram a viver mesmo assim.
- Você deve ser o capitão... – Dill falou com a voz calma como se nada estivesse revirando suas emoções.
-  Sim, eu sou o Corsário Negro e você é muito jovem para ser uma Senhora.
- Engana-se Capitão... Sou velha o suficiente para ter enterrado um marido.
- Sinto-o muito senhora. Doença?
- Assassinio...
- Vingou-se?
- Claro que sim – Um sorriso cruel nasceu nos lábios da Bucaneira ao lembrar de sua vingança.
- Eu perdi dois irmãos... Eramos os Flibusteiros mais ousados de Toda a região, mas o Maldito cão Wan Guld (que sua alma padeça no inferno) os enforcou aos dois... mas um dia consegui minha vingança...
- Que tal trocarmos essas historias enquanto tomamos umas garrafas de Rum... Assim te falarei das terras de onde venho.
- Depois vamos lutar com uns espanhóis?
- É claro Corsário Negro... Porque não?


Maia Carneiro

terça-feira, 12 de junho de 2012

Circo das Ilusões

Antes de ler ligue a musica e se desligue do Mundo vamos dar uma volta agora, no...



Circo das Ilusões




Quem nunca ouviu dizer que a vida é um circo? Vamos viajar a um lugar onde ela é mesmo... Não poderia haver um nome mais estranho para um palhaço do que Guerreiro, mas é assim com o protagonista da nossa historia...
Todas as noites Guerreiro vestia suas roupas coloridas e punha em seu rosto um sorriso palhaço com sua maquiagem brilhante... Todas as noites Guerreiro sorria e sorria, brincava e alegrava as pessoas...
Poderia haver pessoa mais feliz no mundo que um palhaço assim? Que fazia todos felizes... Que tinha a capacidade de arrancar um sorrido da mulher mais chorosa ou do homem mais carrancudo?
A resposta deveria ser não... Deveria, mas a verdade é que Guerreiro não era feliz, durante o dia ele andava pelo picadeiro, revivendo as glórias da noite anterior, (porque fazer alguém feliz, de certa forma o deixava feliz), seus olhos brilhavam ofuscando sua maquiagem alegre... Ali, escondido entre as cadeiras, (olhando para o palco onde vivia a única parte boa do seu dia, entre sorrisos, aplausos e holofotes), agora vazio e escuro, Guerreiro chorava porque não se lembrava de onde vinha... Ele sabia que tivera outra vida antes dessa, uma vida diferente, uma identidade diferente... Mas essa antiga vida havia se perdido no circo das ilusões...
Ali tudo era um grande show, mas todas as manhãs Guerreiro acordava com aquela mesma sensação de vazio... Como se tivesse uma missão a cumprir... Uma missão que estava postergando. Ele pensava em procurar na mente o que deveria fazer, mas lembrar seria assumir uma responsabilidade com sua missão esquecida e Guerreiro não queria mais trabalho... Estava bem onde estava...
Mas nem sempre estar bem é sinônimo de estar feliz...
Certo dia, andando pelo acampamento, o palhaço triste viu alguém novo no circo... Era um mágico... até onde sabia, não havia mágicos no circo das ilusões... Mas ali estava um... Um mágico, com varinha e chapéu garboso, conversando com a bailarina... Ela chorou por um tempo... E depois sorriu de algo que ele disse. Guerreiro estava hipnotizado... Será que o Mágico fizera alguma coisa com ele? Guerreiro piscou forte e muitas vezes e se chacoalhou... Deu alguns pulos no mesmo lugar e brincou com a voz, depois virou-se e entrou em seu camarote... Lavou o rosto tirando a maquiagem mas não olhou no espelho, não o fazia há muito tempo, não enquanto estava sem maquiagem, depois de passar a base branca, escondendo parte de suas feições, sim que ele se olhava para fazer os desenhos... Ele dizia a si mesmo que se conseguia fazer sem o espelho não tinha sentido usa-lo... Mas a verdade era que ele não queria lembrar... Não queria lembrar de quem era, de quem estava por trás do palhaço triste que via no reflexo todos os dias.
Ao sair do camarote, Guerreiro já carregava outra maquiagem, outro sorriso palhaço, outra noite começava e ele precisava dela pra aguentar outro dia... Ao entrar no picadeiro viu a bailarina se apresentar... Ela era linda com seu coque pra cima e sua saia de tule, era sua amiga também. Mas ele sabia que a bailarina não era feliz, sabia que ela também tinha um passado esquecido, como todos ali no palco das ilusões. Ele viu também, do outro lado do palco o Mágico misterioso balançar sua varinha e no mesmo momento a bailarina, como se soubesse o que iria acontecer olhou diretamente para Guerreiro e acenou lhe mandando um beijo e depois sumiu.
Simplesmente sumiu? Como alguém pode sumir no ar desse jeito? Guerreiro correu para o centro do picadeiro e deu algumas voltas em torno de si até lembrar-se do Mágico balançando sua varinha... Para onde ele levara a bailarina? Ele olhou na direção onde avistara o Mágico, mas como imaginou, não havia mais ninguém lá... Todo o público aplaudiu, pensando fazer parte do espetáculo, mas, Guerreiro não estava disposto a “continuar o show”, saiu correndo do picadeiro e foi procurar o Mágico ou sua amiga, ou vestígios de um dos dois.
Correu pelo acampamento e nem ouviu o primeiro trovão quando começou a chover, nem mesmo atentou para toda aquela água que lavava sua maquiagem, descobrindo pela primeira vez em muito tempo o rosto do nosso palhaço triste. Guerreiro nem sabia mais porque estava correndo, nem aonde estava indo, somente corria, começou a chorar também porque, apesar de não lembrar quem tinha sido, ele sabia que seu antigo eu teria conseguido salvar a bailarina, suas lágrimas lhe embaçaram a vista e Guerreiro não viu o grande espelho que tinha ali, próximo ao trailer velho do Mágico, que aparentemente tinha surgido tão misteriosamente quanto o dono... Ele escorregou e deu-se com o corpo no trailer, caindo sentado no chão de lama, levantou-se pensando que isso daria uma bela parte do seu próximo show e viu que não estava sozinho... Havia um homem mais ou menos com sua altura, mais ou menos com o seu peso e mais ou menos com suas roupas olhando diretamente para ele. Mas aquele homem não devia usar roupas assim... apesar de triste, aquele homem não parecia um palhaço... Ele parecia um... Parecia um G...
Então Guerreiro percebeu... Percebeu que estava olhando para si mesmo, Para seu reflexo no trailer velho, mas, muito brilhante... Estava olhando para si mesmo e não estava. Porque aquele não parecia Guerreiro o palhaço... Parecia Guerreiro...
O Guerreiro.
Então todo seu passado voltou! Tudo o que tinha sido... Todas as donzelas que tinha salvado, todas as crianças que tinha erguido e colocado a sua frente no cavalo... Seu Senhor...
Ah o Rei... Seu amigo mais que seu chefe... Tinha sido de certa forma Seu Pai... E Sua missão? Guerreiro lembrava agora... Lembrava-se perfeitamente do dia em que o Rei lhe tinha dito para ir e contar ao mundo que jazia em guerra de que Ele, o Altíssimo Rei tinha abrigo em seu castelo, em sua corte... Mas Guerreiro lembrava também do dia em que as pessoas riram do seu chamado, do dia em que disseram que ele não estava apto para sua grande responsabilidade... Ele se lembrou de que tinha feito bem a algumas pessoas escoltando-as até o Rei, e de como se tornou cada vez mais difícil não acreditar nas pessoas lá fora, que diziam que Guerreiro não era verdadeiro, que duvidaram do seu chamado e até das suas palavras e então lembrou-se de como chegou ao circo, com seu cavalo castanho que era um puro sangue como somente os melhores guerreiros podiam ter, sua armadura reluzia e seu sorriso não era pintado, ali quando tentou transmitir a mensagem do Rei lhe disseram...
_ Não, não é verdade que estamos em guerra, porque no circo não há guerra... Somente ilusões... Você está no circo e acho que deveria continuar nele... Ser Guerreiro é uma grande responsabilidade e você não precisa de tanto... Estará bem aqui... Aposto que daria um ótimo palhaço. Aqui não há guerra, não há dor, somente risos, somente um show... Você esteve mesmo todo esse tempo fazendo tudo errado...
E Guerreiro acreditou. E Guerreiro ficou, aceitou o nariz vermelho a peruca engraçada, o trabalho, o show... Mas agora Guerreiro não sabia o que fazer, estava confuso, não sabia mais se poderia voltar a ser Guerreiro o guerreiro. Mas o triste palhaço ouviu a voz de alguém se aproximando:
- Sente falta disso? – O Mágico se aproximou com algo brilhante em suas mãos, era a antiga armadura de Guerreiro, quase como se trouxesse seu chamado em mãos.
- Onde está a bailarina? – Perguntou Guerreiro com os olhos fitos na armadura.
- Foi pra casa – Disse o Mágico – Ela é minha filha... Você também.
Dito isto o Mágico foi se cobrindo de fumaça e de repente não era mais o Mágico... Era o Altíssimo Rei em pessoa. Ele estava ali, segurando sua armadura, lhe oferecendo de volta seu chamado.
- Mas... Mas... Meu Rei... Eu... Não sabes como eu me sinto. Se vestisse essa armadura outra vez eu pareceria um herói... Por fora, mas por dentro ainda me sinto um ladrão. Como se te tivesse roubado o tesouro mais precioso.
- E roubaste Guerreiro, roubaste a ti mesmo de Mim... Tu ME PERTENCES não sabes? Agora te quero de volta... Te amo como meu filho e quero que te pareças novamente como tal. Tu não foste criado para ser um palhaço, foste criado para levar a Verdade, para ser um Guerreiro do Altíssimo Rei! A partir de hoje, nunca mais te esquecerás... Não vou te obrigar a voltar, mas te deixarei o cavalo e a armadura e deixo contigo Meu coração de Pai... A decisão é tua!
O Altíssimo Rei se transformou de volta em Mágico e saiu andando assoviando uma canção que nosso amigo conhecia muito bem, “A canção do Guerreiro”, composta pelo próprio Rei... Diante de si Guerreiro tinha dois caminhos... Um em que aparentava ser feliz e outro em que Seria feliz abrindo mão de si em favor de outros, um em que a vida era um Show e outro em que muitas vezes nem seria visto fazer o bem... Um em que tinha um público, distante e egoísta, outro em que tinha um Rei, amoroso e fiel... Mas Guerreiro Pensou... Pensou... E, por fim...
Escolheu.

[Maíra Carneiro para Raidson Guerreiro, não é sobre dinossauros e nenhum de nós dois é muito fã de palhaços, mas, o Rei te chamou pra algo melhor mesmo, então... Quero que saiba que sua identidade não muda junto com suas escolhas. Você ainda é o Guerreiro que conheci há alguns anos...]
P.s. Ainda quero saber o final da História!

terça-feira, 15 de maio de 2012

A Caixinha do Grande Rei


Era uma vez em uma terra muito distante uma princesinha linda, chamada Ariana, seu pai, o Altíssimo Rei era sábio e conhecia o coração das pessoas, de todas as pessoas do Reino. Amava a todos e tinha muitos filhos, o Altíssimo Rei tinha um apego especial pela princesa Ariana e deu muitos presentes a ela, das aves do céu conseguiu o canto mais lindo, das feras da terra conseguiu a graça dos mais suaves movimentos, se baseando nas mais belas flores, fez a roupa que a cobria e do fundo do mar e de dentro das cavernas retirou as jóias mais lindas para adornarem-na.
Ariana era feliz, mas queria no fundo desbravar as aventuras que tinha ouvido dizer que haviam do lado de fora da Corte do Altíssimo, pensou em fugir de casa para ver tudo e depois então voltaria para seu palácio, mas o Rei não era alguém que podia ser enganado e no dia da fuga foi ver sua filha:
_ Estás decidida a ir não estás pequena?
_ Desculpe Papai, mas eu tenho que fazer isso, tenho que ir, porém, prometo que vou voltar pra casa, de verdade Papai. Promessa de princesa!
_ Oh minha filha, gostaria Eu que fosse tão fácil, se te vais agora, talvez o mundo lá fora te seduza e tu te esqueças do Pai que te espera aqui dentro.
_ Oh não Papai! Nunca irei esquecer-te, nunca poderia, eu vou voltar eu prometo.
_ Vai... Vai voltar sim, porque farei com que não esqueça, pegue... Esta caixinha tem algumas coisas que você vai precisar para voltar para casa Filhinha, será a única coisa do palácio, fora as roupas que poderás levar, teus adornos ficarão comigo e teus dons não Quero que leves para gastá-los com o que há lá fora, tenho chorado noites inteiras pensando nos teus irmãos que também foram, alguns deles nunca voltaram e desperdiçaram tudo o que Eu lhes dei no mundo.
_ Mas... Papai... O Senhor está... Chorando? – Ariana olhou nos olhos do Pai, que sempre tinha visto como um Rei, tão grande e majestoso, tão poderoso e Altivo às vezes, tão sorridente quando estava com ela, Ele sempre tivera os melhores abraços e os melhores sorrisos pra ela e agora Ele chorava, por ela, por seus irmãos, as lágrimas caíam dos olhos do Grande Rei e Ele a olhava como se soubesse de algo que ela não sabia, então Ele se levantou e saiu, sem ao menos limpar as lágrimas dos olhos. Ariana pensou em desistir da viagem e ficar com seu Pai, mas seu coração protestou, ela queria muito essa viagem e então seguiu seu coração.
Ao sair do palácio a princesinha viu uma festa e correu para olhar mais de perto, todos pareciam felizes e ela queria dançar, como fazia na corte, mas seus dons ficaram no palácio e ela descobriu que ali, a única forma de dançar era a forma daquelas pessoas, teria que “dançar conforme a musica” como se dizia no lugar, imitou então os passos dos dançarinos que eram ousados e sensuais, as longas saias dos seus vestidos a atrapalhavam e ela, empolgada com a dança acabou por rasgá-las para deixá-las mais curtas, como as dos dançarinos, conheceu então a sensualidade.
A princesa passeou e brincou, comeu a comida do mundo e bebeu de seus elixires, por fim dormiu entre eles e assim acordou.
Algum tempo depois ela descobriu que deveria avançar para o próximo vilarejo do mundo, ali não era tão bonito nem tão festivo, as pessoas dançavam também, mas noutro ritmo mais triste, mais deselegante, ali o grande trunfo eram os discursos e com canções as pessoas ganhavam seu reconhecimento, e podiam ficar em um lugar melhor do vilarejo, Ariana ouviu tantas canções e as achou estranhamente convidativas, decidiu que queria cantar, lembrou-se então que seu canto ficou na corte e como com as danças aprendeu o modo do lugar de cantar, as musicas não eram tão lindas quanto no palácio, e não tinha seu Pai para ouvi-la com aquele sorriso lindo que Ele guardava só pra ela, mas Ariana aprendeu a cantar... E cantou por prestígio, por admiração e também, algumas vezes para lembrar de casa. Conheceu então o orgulho.
Ali Ariana cantou, comeu comidas cada vez menos agradáveis e dormiu entre eles, e assim acordou...
Chegou a hora da princesa seguir para o próximo vilarejo do mundo e ali ela encontrou algo que não imaginava... Era um vilarejo de doentes, pensou estar no lugar errado, estava bem, não estava doente, devia voltar, então olhou para baixo e viu... Uma mancha negra crescia pelos seus pés e pernas e ela começou a chorar, alguém parou do seu lado e disse:
_ Você não pode chorar em publico, deve ser forte e colocar isso no rosto...
_ O que é isso?
_Isto é uma mascara e todos os doentes a usam.
_ Para que serve?
_Para que ninguém veja quem é você de verdade e que ninguém pense que você não está feliz.
_ Mas eu não estou feliz.
_ Shhhhh! Quieta! Ninguém pode te ouvir dizer isso aqui. Porque o segredo deste vilarejo é você parecer e convencer os outros de que é feliz e de repente você acaba achando que é realmente verdade.
Ariana então colocou uma máscara e fingiu ser feliz, sorriu e a cada dia que passava ia esquecendo o que era a real felicidade, naquele vilarejo as pessoas que podiam, dançavam, as pessoas cantavam musicas tristes e músicas amargas com suas vozes sofridas. A princesinha chorava quando ninguém via e sorria tentando enganar a si mesma com a ilusão de felicidade.
A cada dia as manchas em suas pernas cresciam e ela percebeu que se tornara um deles, um dos doentes. Ariana então chorou. Chorou por ver no que tinha se tornado, Ariana conheceu então a Culpa.
Ali a princesa dançou, cantou e dormiu entre eles e assim acordou.
Alguém olhou para a princesa Ariana e disse:
_Não está na hora de ir para o próximo vilarejo menina?
_ Há um outro vilarejo? Por favor, me diga que é melhor do que esse... Diga que tem remédios lá...
_ Remédios? Hahahaha não, não há remédios lá menina, somente mortos.
_ Mas não estou morta...
_ Não ainda, mas vai estar em pouco tempo se continuar por aqui, decidimos que quem está do jeito que você está agora, deve ir para o próximo vilarejo andando e esperar a morte por lá para não termos que carregar corpos estando todos nós doentes.
_ Mas... Deve haver alguém que possa me curar... Aqui não tem médicos?
_ Médicos? Pensa que está onde menina? Aqui não é o Palácio do Altíssimo Rei... Aqui somos todos esquecidos por Ele.
_ Não... Papai não nos esqueceu. Ele nunca esquece ninguém.
_ Que seja princesinha, mas duvido que Ele esteja pensando em você agora...
Sozinha num canto escuro, olhando bem para as suas feridas Ariana lembrou do Seu Pai, do Seu Rei. Da ultima vez que o vira, Seus olhos sempre tão compreensivos estavam transbordando de lágrimas por ela. Ele sabia, sabia o que ia acontecer pediu que ela não fosse, mas ela não ouviu... Como poderia saber? Como poderia imaginar que acabaria desse jeito? Ariana começou a chorar pensando em como seria bom estar em casa, olhou para o lado e viu a caixinha que Se Pai lhe dera.
Era uma caixinha simples de madeira, aparentemente sem valor, tinha o selo Real e estava endereçada a ela. Ariana pensou em abrir a caixa, pensou varias vezes ao longo do caminho, mas nunca tivera coragem, o Pai dissera que era para quando quisesse voltar para casa, mas como ela poderia voltar? Como voltaria desse jeito? Envergonhada, doente, marcada de diversas formas pelo mundo de fora...
Ariana não abriu a caixa antes, mas abriria agora, era o único jeito, ela precisava. Sentia saudades do Pai. Respirou fundo e abriu a tampa, imediatamente um cheiro suave começou a exalar de dentro fazendo-a sentir bem, tinha cheiro de casa. Ali havia uma carta e algumas coisas, abrindo a carta Ariana, que não se sentia uma princesa havia muito tempo leu:
_ Filha, não sabes o quão feliz estou que tenhas aberto esta carta. Então decidistes voltar? O mundo ai fora não é bem o que você queria não é? Saiba que estou pensando em você todos os dias e sinto muito o que te está acontecendo, Eu não posso ir aí te buscar, tu é quem terás que voltar sozinha, com seus próprios pés assim como chegou aí onde estás, mas Eu Sou seu Pai e te amo tanto que nesta caixa você vai encontrar algumas coisas... Primeiro, Passes o bálsamo que te deixei, assim suportarás viajar de volta mesmo com tuas feridas, quando chegares em casa tratarei delas...
Depois de pegar e passar o bálsamo sobre o corpo Ariana se sentiu bem melhor, era quase como estar curada, Seu Pai realmente lhe dera um grande presente, mas então a moça continuou lendo:
_ Melhor agora minha princesa? Bem tente agora achar umas sandálias que te deixei dentro da caixa, elas vão te desligar desta terra suja em que estás e então comece sua caminhada, comece agora, não espere até amanhã, não espere nem um pouco, tudo o que você vai precisar está ai dentro, e outra coisa... Preciso que você tire esta máscara que tem em teu rosto.
Ariana tocou a máscara que passara a quase fazer parte dela e se perguntou como seu Pai saberia que a estava usando... Era uma pergunta tola. Seu Pai era o Altíssimo Rei e sabia tudo sobre todos. Ariana suspirou, não era nada fácil se humilhar e mostrar seu rosto depois de tudo o que acontecera... Depois de tudo o que tinha feito. Ela não era mais uma princesa não era mais tão pura e doce. Definitivamente não era a mesma pessoa que saiu do palácio um dia...
_ Filha, Eu não desisti de você... Nunca vou desistir você é minha princesa, nunca se esqueça disso, nunca, jamais esqueça que Eu, o Altíssimo Rei, Supremo Senhor de tudo, Amo você e daria tudo o que fosse preciso por você. Sei que está se sentindo suja, que está se sentindo culpada e que sente dor em seu pequeno coração, mas ainda assim você é minha. Não deixe que ninguém, NINGUÉM, te convença do contrário... Por fim lembre-se: Os erros de uma princesa não mudam o fato de ela ser filha do Rei! Agora vai filha, tira essa máscara e volta pra casa, volta pra mim...
Ao ler as ultimas palavras da carta, Ariana chorava e retirou a máscara sem pensar em nada além de ver o sorriso de seu Pai mais uma vez, ela então correu, correu por todo o vilarejo até sua porta de entrada, passou por ele e nunca dormia com os outros, se afastou de todos os que a pudessem tentar enganar... Comia somente o que tinha na caixa, coisas que nunca perdiam sua validade que não se desfaziam ou apodreciam, coisas que o Grande Rei tinha deixado pra ela, aprendeu que o bálsamo do Pai lhe fazia seguir adiante apesar das cicatrizes, apesar de ainda doente, passou pelo segundo vilarejo e as pessoas continuavam perdidas em seus discursos e em suas musicas tristes, mas não Ariana, ela já passara por isso e nunca mais iria voltar, sempre que pensava em desistir de voltar para o Pai, se lembrava das palavras Dele: Os erros de uma princesa não mudam o fato de ela ser filha do Rei! Assim tinha ânimo para continuar, e Ariana correu por mais um vilarejo, neste viu novamente as festas e danças animadas de sempre, mas elas não mais a atraiam, porque agora ela já estava perto, já conseguia ver o castelo e correu com todas as suas forças até estancar surpresa... Seu Pai, o Grande Rei estava a sua espera na porta de casa, seus braços abertos prometiam o melhor de todos os abraços e seu sorriso e lágrimas demonstravam Sua emoção. Ariana recuperou o folego e correu ainda mais, se jogando nos braços do Pai que a apertou forte dizendo:
_ Que saudades tive de ti pequena... Me deixaste preocupado.
_ Desculpe Papai, estou tão arrependida, estou doente e cheia de marcas, perdi a essência dos Teus dons e não sei mais como ainda me chamas de princesa.
_ Quando vais entender filha? Os erros de uma princesa não mudam o fato de ela ser filha do Rei! Não importa o que aconteceu, vou sarar tuas feridas, às vezes vai doer, às vezes vai ser difícil voltar a pensar como Eu, mas com o tempo, Te devolverei os teus Dons e Tu Serás quem Eu sempre sonhei que fosses, este tempo que passaste fora só atrasou um pouco os Meus planos, mas você ainda é minha filha, a menina dos meus olhos e a primeira coisa que vamos mudar em você é esta roupa suja, vamos querida e me deixe te dar roupas novas, dignas da filha amada do Grande Rei...
Ariana estava feliz com o sorriso de Seu Pai, ela sabia que não seria fácil apesar de não entender bem o que Ele planejava fazer, mas ela sabia que não desejava outra coisa de sua vida, era extremamente grata por ter a oportunidade de voltar, por ter recebido de volta sua casa, seu lar, tudo isso por um simples presente que Fez toda a diferença...
A caixinha do Grande Rei.



[De Maíra Carneiro para Ariana Carneiro, a essência Real nunca abandona uma Princesa, basta sabermos que de vez em quando vamos precisar nos humilhar e nos deixar sarar mesmo sem entender os planos do Altíssimo, dedico a você que tem se mostrado Grata por ter sido aceita de volta, assim como eu fui um dia, e ainda sou, todos os dias.]

Agradecimento especial ao meu amigo Marcelo  cuja frase inspirou este conto. Obrigada amigo poeta!
 

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