segunda-feira, 20 de maio de 2013


"Sol"berano


Sol, tu que és tão forte,

Tão imponente...

Traz sensações mista, de prazer e alegria.

De harmonia, de cansaço e desgasto, 

Que se perde na monótona rotina

Que se desenvolve e se cria no dia a dia.

Calor... Calor... Calor...

Pela manhã aquece-me com fulgor, 

Ao meio-dia torna-se meu horror.

Vê-lo nascendo sob a despedida saudosa,

De uma noite voluptuosa,

Causa-me espanto, enche-me de encanto,

Conforme vai chegando ao nosso encontro.

Despontando raios vitais,

Sobrepondo-se sobre nós mortais.

Vejo-o adornando o azul perene, 

Com tons laranjais solene.

Sol... “Solberano!”

Soberano da alvorada,

Imperadora do dia,

Gladiador crepuscular,

És sol. És vida!


                                     



Pai


                                     Pai... queria dizer em versos

As coisas mais belas, porém confesso...

Todavia, a vida me trouxe a agonia
De tua ausência quebrando nosso elo.



À porta da esperança esperei teu retorno, 

Tal qual o servo a espera de seu senhor.
Pedi ao tempo que parasse, até mesmo retornasse
Àquele tempo em que me cobrias de amor.



Pai... teu zelo noutro tempo, 

Tornou-me dependente de teu afeto.
Recorri aos artifícios do choro,
As artimanhas da infância, 
Para que não deixasse nosso teto.



Pai... às vezes me pergunto,

O que fiz para merecer, 
Entregando-me a mercê,
De tanto sofrimento com o teu partir.
Hoje, mais uma vez, 
A dor bateu 
Ao me lembrar de ti.



Na ausência do tempo presente,

Recorro ao passado e o trago à mente.
Recordo-me dos passeios a cada fim de tarde,
Das histórias ao cair da noite
E das imitações dos personagens, 
Como se você os fosse.



Contava-me os dedinhos dos pés,

E como avião fazia-me plainar,
Depois de beijos me cobria,
E, enfim, dizias “ Fique com os anjos a sonhar.”



Pai... por que parece ignorar minha existência?

Por que de mim se esqueceu?
Será que não se lembra da promessa,
Que , antes de partir, prometeu?



Fico pensando em algumas coisas do tipo

“Será que ele ainda se importa comigo?”
Sei que já não sou mais aquela garotinha,
Mas preciso de ti, meu amigo.



Às vezes um sentimento

Estranho me consome.
É a inveja que tenho de meus irmãos,
Por serem teus dois únicos homens.



Eles desfrutam do sabor

Da tua companhia,
Quanto a mim...
Escrevo esses versos
Para quem sabe...
Possas ler um dia.



Pai...será que tu me amas...?

Bem...disso não duvido.
Mas...bem que poderia 
Por gestos demonstrar 
Aquilo que eu preciso.



Pai...

Queria poder dizer-te 
As coisas mais belas nesses versos.
Mas a tristeza me consome.
Só não me esqueças, é o que lhe peço.
Enquanto isso...continuo aqui,
Naquele mesmo lugar,
Debaixo do mesmo teto.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Contornos



O vento beija-lhe a face rosada
Ela admira o futuro incerto
Junta forças de lugares obscuros
Teima em extinguir a fantasia
Matar alguém dentro de si
Cheia de vida e histórias
Cheia de sonhos, memórias
Repleta de tudo
Completa de nada...

Comprou as cores que quis
Canetas, lápis e giz
E atirou na parede nívea
Contornos se formaram
Pessoas se criavam
Lembranças imergiam
Crianças em árvores
Subiam...

Do tudo nada ficou
A família virou risos distantes
Às tardinhas de quinta
Sem protocolo, sem regras
Cada um trazia o que lhe aprazia
Eram histórias e poemas
Seus heróis e princesas
Ideias acesas
Sem grilhões, sem algemas...

Do nada tudo ficou
Fiquei de resto
Observando o mar
Tentando alegrar uma criança
Que ainda espera
Que o impossível aconteça...



De Marcelo Souza para Maia Carneiro
 

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