quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Noiva para sempre adormecida




Sepulcral, silencio religioso,
Imundo cheiro mofoso.
Na madeira envernizada,
Sem véu, cabelos soltos no nada.
Brilhantes, pretos e esvoaçantes.
Doce e para sempre congelada,
No seu estado de mais profunda graça.
Que mal fizeram os amantes?
Abatida por nenhuma razão.
Perdida mesmo antes de entregar seu coração,
Sucumbida na mais triste desgraça.
Estava a noiva no seu caixão.
Sua tez pálida no contraste da escuridão.
Nas suas mãos o bouquet e na face o sorriso.
Muito mais lágrimas do que seria preciso.
Mas a moça inspirava compaixão,
Dor, tristeza e insatisfação.
Tão nova e tão linda...
O vestido rendado não lhe faz justiça.
Cadáver e ainda vítima de cobiça.
Por isso a morte a quis na mão.
Lábios rubros que perdem a cor,
Seu noivo quebra-se sem pudor.
Uma vida sem começo se finda.
Ela parece de cristal,
Floco de neve numa igreja.
Sem mais pegadas de amor no litoral.
É Deus que assim o deseja!


Helena Ribeiro

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Farsa





Sou uma farsa que se comporta,
Na linha torta do bom viver.
Sou o escândalo escancarado,
Porém maquiado para ninguém o ver.
Sou a vertigem embaçada...
Sou a ferida mal curada.
Sou a inércia...por vezes, finjo ser certa.
Sou o oposto do gosto,
Sou o desgosto que ninguém vê.
Na esquina eu dobro,
As regras ignoro,
Nos meus atos extrapolo,
porque sou o que não sou,
E se o sou é, porque não sei ser como eu deveria ser.
Sou o scracho do escarnio,
No qual deliberadamente eu caio,
Os degraus do que é certo,
Porque mesmo sem querer eu erro,
Mas as vezes querendo errar não acerto,
Pois esse é o meu jeito de ser.
Me entrego ao jogo,
Sem regras eu jogo,
Mesmo sabendo que talvez eu possa padecer.


Mey Almeida

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

[Tha nos Livros] Carta a Lady Alicia de seu amor




- Lady Alicia, desde sua primeira carta, fui cativado por sua inteligência e perspicácia. Desde nosso primeiro encontro, fui enfeitiçado por seus belos olhos e sua inegável graça. Desde o primeiro dia, primeira hora, primeiro momento — tenho sido bombardeado por "primeiros". A primeira vez que a ouvi rir. A primeira vez que a fiz chorar. O primeiro gosto de seus lábios. A primeira carícia em sua pele. O primeiro sopro de calor num coração mantido por tempo demais no frio e na escuridão.

O príncipe fez uma breve pausa para saborear o efeito das palavras, não só em Alicia, mas em todos os convidados, antes de prosseguir com a leitura.

 - Não entendo como vivi tantos anos na mais completa solidão. Onde havia generosidade, eu via negligência. Onde havia confiança, via manipulação. Onde havia amor, eu procurava mentiras. Tive o ouro do sol em minhas mãos e tratei-o como bronze. Com toda razão, você o tirou de mim... e levou-o para longe.

Alicia ouvia as batidas fortes do coração ecoando nos ouvidos, e quase não percebeu as palavras de uma mulher sentada perto dela.
— Que coisa mais linda! — a mulher murmurou. — Tão apaixonado!

O comentário da senhora não interrompeu George, que continuou lendo:

- Acreditei que eu me conhecia. Um homem realizado, com controle total de si mesmo e de todos que o cercavam. Mas eu era frio, tão frio que havia gelo dentro de mim. Sua força e seu calor deixaram-me assustado, irritado, vulnerável. Eu temia que, ao me derreter no seu calor, não sobrasse nada de mim... no entanto, não posso me afastar de você. Como a mariposa que morre ao redor da chama de uma vela, não consigo ficar longe de você.
Com a sua vivacidade, você despertou em mim um novo homem. Um homem capaz de viver e florescer graças ao seu coração generoso.
Quero mais de você do que tenho direito. Mas você viverá melhor sem mim do que comigo. Por isso, não pedirei nada. Só quero dizer-lhe que você me transformou. O mundo não me reconhecerá, pois não sou mais o mesmo homem de antes. O mundo ganhará mais com este novo homem, e estarei eternamente em débito com você.
Desejo que sua vida seja sempre radiante e alegre como eternos verões e não a culpo por ter espantado o inverno escuro que havia dentro de mim.
Adeus, Alicia, meu amor.

Seu para sempre, Wyndham

De Adorável Mentirosa
(Seducing the Spy)
 Celeste Bradley

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Vida No Mar - Conto 2 (Homenagem a Emilio Salgari)




As velas de Jhonny Rogers balançavam no ritmo do vento, hoje não havia batalhas a travar e a Bucaneira suspirou... Por fora sua face era tranquila e sem medo, por dentro as emoções a sufocavam de tal forma que só não surpreenderia uma pessoa no mundo...
O Guerreiro alto e forte de aparência viking se aproximou por trás do seu modo felino e silencioso, se Dill fosse um ser comum com certeza teria se assustado mas havia magia em seu sangue... E ela simplesmente suspirou outra vez ao ouvir a frase:
- Senhorita Dill, em quem estás a pensar hoje? – A pergunta não foi respondida, e nem precisou, Guardião Chakal, seu primeiro imediato e melhor amigo chegou mais perto e pode ver a pirata com a mão fechada em volta de algo que pendia de uma corrente em seu pescoço...
 - Entendi, a senhorita está pensando no cigano... – Ao ouvir tal frase, a Bucaneira abriu a mão, deixando ver a aliança que pendia da corrente de ouro
- É Chakal, estou pensando no meu marido...
- Seu marido está morto há anos Dill está na hora de esquecer... A senhorita era só uma criança nem sabia o que era o amor...
- Eu sabia o que era o amor naquela época Chakal, hoje é que eu não sei mais o que é. Meu coração morreu junto com o Rio...
- Não morreu não e você sabe disso, seu coração ainda está vivo e batendo por um tal...
- Cale-se Chakal! Rio foi meu marido e foi quem me ensinou a ser quem sou, quem me mostrou que podia sorrir e ser plenamente eu independente de que parte de mim... Ser fada, ser ogro, ser princesa e ser pirata ou cigana... Sou eu Chakal e ele faz parte de mim e sempre o fará... hoje fazem quatro anos que ele morreu...
- Agora entendo... Tudo bem capitã, vamos viajar para longe dessa vez... Te levarei a Tortuga para beber com os Flibusteiros...
- Não sei Chakal... Pensei em ir ver o Velho Luigi hoje...
- Não, não nada de ir ver os ciganos hoje, você pode vê-los em uma semana quando voltarmos de Tortuga.
- Nunca fui a essas aguas Chakal não é meu território.
- Isso mesmo, você precisa conhecer gente nova senhorita Dill.
- Ah, cale-se Chakal! Se quer tanto ir a Tortuga então mande os homens seguirem pra lá... Eu vou a minha cabine e depois resolvo sobre ir ver o ancião.
Dill não esperou resposta, seguiu para a cabine de queixo erguido como sempre, ninguém notaria que ela sofria, ninguém, exceto Chakal e Pérolasky notavam, quando entrou na cabine  não ficou como desejava a sós, a Princesa banida das Pérolas estava sentada em sua cama, obviamente esperando por ela...
- Não vai me contar o motivo dessa azedura que você está?
-  Não. Fora daqui Sky...
- Mas Dill... Aposto que o Chakal sabe...
- Então porque não pergunta pra ele?
- Ele tem permissão de me dizer?
- Que seja, diga               que dei permissão pra contar o que quer que seja...
- Vou voltar quando souber...
- Ah mas não vai mesmo se quiser ficar viva...
- Hummm, ameaçando-me de morte? Não deve estar tão ruim assim.
Um punhal voou em direção a princesa e cravou- se na parede dois dedos acima de sua cabeça.
- Ou talvez esteja ruim assim... Tudo bem Dill eu vou...


Dois dias depois aportavam em Tortuga casa oficial dos piratas Flibusteiros, Dill desceu do clipper e respirou fundo o ar salgado da Costa, estava distraída e o som de piratas lutando e lançando imprecações a sua volta não a abalava no mais mínimo. Era assim a vida no mar. Ouviu o grito estridente de Pérolasky e correu em direção a voz:
_ Pare Chakal! Gritava ela para o Guardião que brandia sua espada em direção a um homem desconhecido. – Não está vendo que estamos em território extrangeiro, não é nossa área! Vao mata-lo.
- Não se Preocupe Ma Cherri sou muito destro com a espada ferirei a muitos antes de partir.
- Chega! – O brado da Bucaneira ecoou de forma sinistra por toda a ilha. – Não viemos atrás de confusão Guardiao Chakal, embora nunca despreze uma boa luta hoje você vai se conter.
- Mas senhorita, este cão sarnento ousa insultar a capita de meu navio dizendo nunca ter ouvido falar nesta Tal Bucaneira Dill.
- Isso só quer dizer que tenho alcançado meu objetivo de permanecer em segredo marujo. Enfim, posso saber seu nome flibusteiro?
- Me chamo Carmaux. É um Prazer Senhora... Desculpe-me mas nunca tinha ouvido falar de uma mulher capitaneando um navio antes...
- Tudo bem marujo, logo descobrirás que não sou uma mulher comum. E a que tripulação pertences?
- A melhor, Senhora, a Tripulação do Corsário Negro!
- E o que faz essa tripulação ser assim tão boa?
De repente fez-se ouvir uma voz estrondosa atrás de Dill:
- Talvez o fato de que o Capitao não tolera traidores, você não é uma traidora é Senhorita?
- Senhora. E não, não sou uma traidora...
As palavras fugiram de Dill quando se virou para ver com quem falava... Ele era talvez o pirata mais bonito que ela já havia visto, os lábios pequenos e o nariz reto dignos do lord mais elegante contrastavam com seus olhos negros que pareciam queimar com tal intensidade, sua barba era curta e crespa e seus cabelos longos desciam ondulados até os ombros, Dill sentiu um arrepio na coluna e sem desviar os olhos dos dele percebeu que ele também parecia sentir o mesmo.  Era reconhecimento, o reconhecimento de duas pessoas que perderam o primordial em suas vidas e continuaram a viver mesmo assim.
- Você deve ser o capitão... – Dill falou com a voz calma como se nada estivesse revirando suas emoções.
-  Sim, eu sou o Corsário Negro e você é muito jovem para ser uma Senhora.
- Engana-se Capitão... Sou velha o suficiente para ter enterrado um marido.
- Sinto-o muito senhora. Doença?
- Assassinio...
- Vingou-se?
- Claro que sim – Um sorriso cruel nasceu nos lábios da Bucaneira ao lembrar de sua vingança.
- Eu perdi dois irmãos... Eramos os Flibusteiros mais ousados de Toda a região, mas o Maldito cão Wan Guld (que sua alma padeça no inferno) os enforcou aos dois... mas um dia consegui minha vingança...
- Que tal trocarmos essas historias enquanto tomamos umas garrafas de Rum... Assim te falarei das terras de onde venho.
- Depois vamos lutar com uns espanhóis?
- É claro Corsário Negro... Porque não?


Maia Carneiro

terça-feira, 12 de junho de 2012

Circo das Ilusões

Antes de ler ligue a musica e se desligue do Mundo vamos dar uma volta agora, no...



Circo das Ilusões




Quem nunca ouviu dizer que a vida é um circo? Vamos viajar a um lugar onde ela é mesmo... Não poderia haver um nome mais estranho para um palhaço do que Guerreiro, mas é assim com o protagonista da nossa historia...
Todas as noites Guerreiro vestia suas roupas coloridas e punha em seu rosto um sorriso palhaço com sua maquiagem brilhante... Todas as noites Guerreiro sorria e sorria, brincava e alegrava as pessoas...
Poderia haver pessoa mais feliz no mundo que um palhaço assim? Que fazia todos felizes... Que tinha a capacidade de arrancar um sorrido da mulher mais chorosa ou do homem mais carrancudo?
A resposta deveria ser não... Deveria, mas a verdade é que Guerreiro não era feliz, durante o dia ele andava pelo picadeiro, revivendo as glórias da noite anterior, (porque fazer alguém feliz, de certa forma o deixava feliz), seus olhos brilhavam ofuscando sua maquiagem alegre... Ali, escondido entre as cadeiras, (olhando para o palco onde vivia a única parte boa do seu dia, entre sorrisos, aplausos e holofotes), agora vazio e escuro, Guerreiro chorava porque não se lembrava de onde vinha... Ele sabia que tivera outra vida antes dessa, uma vida diferente, uma identidade diferente... Mas essa antiga vida havia se perdido no circo das ilusões...
Ali tudo era um grande show, mas todas as manhãs Guerreiro acordava com aquela mesma sensação de vazio... Como se tivesse uma missão a cumprir... Uma missão que estava postergando. Ele pensava em procurar na mente o que deveria fazer, mas lembrar seria assumir uma responsabilidade com sua missão esquecida e Guerreiro não queria mais trabalho... Estava bem onde estava...
Mas nem sempre estar bem é sinônimo de estar feliz...
Certo dia, andando pelo acampamento, o palhaço triste viu alguém novo no circo... Era um mágico... até onde sabia, não havia mágicos no circo das ilusões... Mas ali estava um... Um mágico, com varinha e chapéu garboso, conversando com a bailarina... Ela chorou por um tempo... E depois sorriu de algo que ele disse. Guerreiro estava hipnotizado... Será que o Mágico fizera alguma coisa com ele? Guerreiro piscou forte e muitas vezes e se chacoalhou... Deu alguns pulos no mesmo lugar e brincou com a voz, depois virou-se e entrou em seu camarote... Lavou o rosto tirando a maquiagem mas não olhou no espelho, não o fazia há muito tempo, não enquanto estava sem maquiagem, depois de passar a base branca, escondendo parte de suas feições, sim que ele se olhava para fazer os desenhos... Ele dizia a si mesmo que se conseguia fazer sem o espelho não tinha sentido usa-lo... Mas a verdade era que ele não queria lembrar... Não queria lembrar de quem era, de quem estava por trás do palhaço triste que via no reflexo todos os dias.
Ao sair do camarote, Guerreiro já carregava outra maquiagem, outro sorriso palhaço, outra noite começava e ele precisava dela pra aguentar outro dia... Ao entrar no picadeiro viu a bailarina se apresentar... Ela era linda com seu coque pra cima e sua saia de tule, era sua amiga também. Mas ele sabia que a bailarina não era feliz, sabia que ela também tinha um passado esquecido, como todos ali no palco das ilusões. Ele viu também, do outro lado do palco o Mágico misterioso balançar sua varinha e no mesmo momento a bailarina, como se soubesse o que iria acontecer olhou diretamente para Guerreiro e acenou lhe mandando um beijo e depois sumiu.
Simplesmente sumiu? Como alguém pode sumir no ar desse jeito? Guerreiro correu para o centro do picadeiro e deu algumas voltas em torno de si até lembrar-se do Mágico balançando sua varinha... Para onde ele levara a bailarina? Ele olhou na direção onde avistara o Mágico, mas como imaginou, não havia mais ninguém lá... Todo o público aplaudiu, pensando fazer parte do espetáculo, mas, Guerreiro não estava disposto a “continuar o show”, saiu correndo do picadeiro e foi procurar o Mágico ou sua amiga, ou vestígios de um dos dois.
Correu pelo acampamento e nem ouviu o primeiro trovão quando começou a chover, nem mesmo atentou para toda aquela água que lavava sua maquiagem, descobrindo pela primeira vez em muito tempo o rosto do nosso palhaço triste. Guerreiro nem sabia mais porque estava correndo, nem aonde estava indo, somente corria, começou a chorar também porque, apesar de não lembrar quem tinha sido, ele sabia que seu antigo eu teria conseguido salvar a bailarina, suas lágrimas lhe embaçaram a vista e Guerreiro não viu o grande espelho que tinha ali, próximo ao trailer velho do Mágico, que aparentemente tinha surgido tão misteriosamente quanto o dono... Ele escorregou e deu-se com o corpo no trailer, caindo sentado no chão de lama, levantou-se pensando que isso daria uma bela parte do seu próximo show e viu que não estava sozinho... Havia um homem mais ou menos com sua altura, mais ou menos com o seu peso e mais ou menos com suas roupas olhando diretamente para ele. Mas aquele homem não devia usar roupas assim... apesar de triste, aquele homem não parecia um palhaço... Ele parecia um... Parecia um G...
Então Guerreiro percebeu... Percebeu que estava olhando para si mesmo, Para seu reflexo no trailer velho, mas, muito brilhante... Estava olhando para si mesmo e não estava. Porque aquele não parecia Guerreiro o palhaço... Parecia Guerreiro...
O Guerreiro.
Então todo seu passado voltou! Tudo o que tinha sido... Todas as donzelas que tinha salvado, todas as crianças que tinha erguido e colocado a sua frente no cavalo... Seu Senhor...
Ah o Rei... Seu amigo mais que seu chefe... Tinha sido de certa forma Seu Pai... E Sua missão? Guerreiro lembrava agora... Lembrava-se perfeitamente do dia em que o Rei lhe tinha dito para ir e contar ao mundo que jazia em guerra de que Ele, o Altíssimo Rei tinha abrigo em seu castelo, em sua corte... Mas Guerreiro lembrava também do dia em que as pessoas riram do seu chamado, do dia em que disseram que ele não estava apto para sua grande responsabilidade... Ele se lembrou de que tinha feito bem a algumas pessoas escoltando-as até o Rei, e de como se tornou cada vez mais difícil não acreditar nas pessoas lá fora, que diziam que Guerreiro não era verdadeiro, que duvidaram do seu chamado e até das suas palavras e então lembrou-se de como chegou ao circo, com seu cavalo castanho que era um puro sangue como somente os melhores guerreiros podiam ter, sua armadura reluzia e seu sorriso não era pintado, ali quando tentou transmitir a mensagem do Rei lhe disseram...
_ Não, não é verdade que estamos em guerra, porque no circo não há guerra... Somente ilusões... Você está no circo e acho que deveria continuar nele... Ser Guerreiro é uma grande responsabilidade e você não precisa de tanto... Estará bem aqui... Aposto que daria um ótimo palhaço. Aqui não há guerra, não há dor, somente risos, somente um show... Você esteve mesmo todo esse tempo fazendo tudo errado...
E Guerreiro acreditou. E Guerreiro ficou, aceitou o nariz vermelho a peruca engraçada, o trabalho, o show... Mas agora Guerreiro não sabia o que fazer, estava confuso, não sabia mais se poderia voltar a ser Guerreiro o guerreiro. Mas o triste palhaço ouviu a voz de alguém se aproximando:
- Sente falta disso? – O Mágico se aproximou com algo brilhante em suas mãos, era a antiga armadura de Guerreiro, quase como se trouxesse seu chamado em mãos.
- Onde está a bailarina? – Perguntou Guerreiro com os olhos fitos na armadura.
- Foi pra casa – Disse o Mágico – Ela é minha filha... Você também.
Dito isto o Mágico foi se cobrindo de fumaça e de repente não era mais o Mágico... Era o Altíssimo Rei em pessoa. Ele estava ali, segurando sua armadura, lhe oferecendo de volta seu chamado.
- Mas... Mas... Meu Rei... Eu... Não sabes como eu me sinto. Se vestisse essa armadura outra vez eu pareceria um herói... Por fora, mas por dentro ainda me sinto um ladrão. Como se te tivesse roubado o tesouro mais precioso.
- E roubaste Guerreiro, roubaste a ti mesmo de Mim... Tu ME PERTENCES não sabes? Agora te quero de volta... Te amo como meu filho e quero que te pareças novamente como tal. Tu não foste criado para ser um palhaço, foste criado para levar a Verdade, para ser um Guerreiro do Altíssimo Rei! A partir de hoje, nunca mais te esquecerás... Não vou te obrigar a voltar, mas te deixarei o cavalo e a armadura e deixo contigo Meu coração de Pai... A decisão é tua!
O Altíssimo Rei se transformou de volta em Mágico e saiu andando assoviando uma canção que nosso amigo conhecia muito bem, “A canção do Guerreiro”, composta pelo próprio Rei... Diante de si Guerreiro tinha dois caminhos... Um em que aparentava ser feliz e outro em que Seria feliz abrindo mão de si em favor de outros, um em que a vida era um Show e outro em que muitas vezes nem seria visto fazer o bem... Um em que tinha um público, distante e egoísta, outro em que tinha um Rei, amoroso e fiel... Mas Guerreiro Pensou... Pensou... E, por fim...
Escolheu.

[Maíra Carneiro para Raidson Guerreiro, não é sobre dinossauros e nenhum de nós dois é muito fã de palhaços, mas, o Rei te chamou pra algo melhor mesmo, então... Quero que saiba que sua identidade não muda junto com suas escolhas. Você ainda é o Guerreiro que conheci há alguns anos...]
P.s. Ainda quero saber o final da História!

terça-feira, 15 de maio de 2012

A Caixinha do Grande Rei


Era uma vez em uma terra muito distante uma princesinha linda, chamada Ariana, seu pai, o Altíssimo Rei era sábio e conhecia o coração das pessoas, de todas as pessoas do Reino. Amava a todos e tinha muitos filhos, o Altíssimo Rei tinha um apego especial pela princesa Ariana e deu muitos presentes a ela, das aves do céu conseguiu o canto mais lindo, das feras da terra conseguiu a graça dos mais suaves movimentos, se baseando nas mais belas flores, fez a roupa que a cobria e do fundo do mar e de dentro das cavernas retirou as jóias mais lindas para adornarem-na.
Ariana era feliz, mas queria no fundo desbravar as aventuras que tinha ouvido dizer que haviam do lado de fora da Corte do Altíssimo, pensou em fugir de casa para ver tudo e depois então voltaria para seu palácio, mas o Rei não era alguém que podia ser enganado e no dia da fuga foi ver sua filha:
_ Estás decidida a ir não estás pequena?
_ Desculpe Papai, mas eu tenho que fazer isso, tenho que ir, porém, prometo que vou voltar pra casa, de verdade Papai. Promessa de princesa!
_ Oh minha filha, gostaria Eu que fosse tão fácil, se te vais agora, talvez o mundo lá fora te seduza e tu te esqueças do Pai que te espera aqui dentro.
_ Oh não Papai! Nunca irei esquecer-te, nunca poderia, eu vou voltar eu prometo.
_ Vai... Vai voltar sim, porque farei com que não esqueça, pegue... Esta caixinha tem algumas coisas que você vai precisar para voltar para casa Filhinha, será a única coisa do palácio, fora as roupas que poderás levar, teus adornos ficarão comigo e teus dons não Quero que leves para gastá-los com o que há lá fora, tenho chorado noites inteiras pensando nos teus irmãos que também foram, alguns deles nunca voltaram e desperdiçaram tudo o que Eu lhes dei no mundo.
_ Mas... Papai... O Senhor está... Chorando? – Ariana olhou nos olhos do Pai, que sempre tinha visto como um Rei, tão grande e majestoso, tão poderoso e Altivo às vezes, tão sorridente quando estava com ela, Ele sempre tivera os melhores abraços e os melhores sorrisos pra ela e agora Ele chorava, por ela, por seus irmãos, as lágrimas caíam dos olhos do Grande Rei e Ele a olhava como se soubesse de algo que ela não sabia, então Ele se levantou e saiu, sem ao menos limpar as lágrimas dos olhos. Ariana pensou em desistir da viagem e ficar com seu Pai, mas seu coração protestou, ela queria muito essa viagem e então seguiu seu coração.
Ao sair do palácio a princesinha viu uma festa e correu para olhar mais de perto, todos pareciam felizes e ela queria dançar, como fazia na corte, mas seus dons ficaram no palácio e ela descobriu que ali, a única forma de dançar era a forma daquelas pessoas, teria que “dançar conforme a musica” como se dizia no lugar, imitou então os passos dos dançarinos que eram ousados e sensuais, as longas saias dos seus vestidos a atrapalhavam e ela, empolgada com a dança acabou por rasgá-las para deixá-las mais curtas, como as dos dançarinos, conheceu então a sensualidade.
A princesa passeou e brincou, comeu a comida do mundo e bebeu de seus elixires, por fim dormiu entre eles e assim acordou.
Algum tempo depois ela descobriu que deveria avançar para o próximo vilarejo do mundo, ali não era tão bonito nem tão festivo, as pessoas dançavam também, mas noutro ritmo mais triste, mais deselegante, ali o grande trunfo eram os discursos e com canções as pessoas ganhavam seu reconhecimento, e podiam ficar em um lugar melhor do vilarejo, Ariana ouviu tantas canções e as achou estranhamente convidativas, decidiu que queria cantar, lembrou-se então que seu canto ficou na corte e como com as danças aprendeu o modo do lugar de cantar, as musicas não eram tão lindas quanto no palácio, e não tinha seu Pai para ouvi-la com aquele sorriso lindo que Ele guardava só pra ela, mas Ariana aprendeu a cantar... E cantou por prestígio, por admiração e também, algumas vezes para lembrar de casa. Conheceu então o orgulho.
Ali Ariana cantou, comeu comidas cada vez menos agradáveis e dormiu entre eles, e assim acordou...
Chegou a hora da princesa seguir para o próximo vilarejo do mundo e ali ela encontrou algo que não imaginava... Era um vilarejo de doentes, pensou estar no lugar errado, estava bem, não estava doente, devia voltar, então olhou para baixo e viu... Uma mancha negra crescia pelos seus pés e pernas e ela começou a chorar, alguém parou do seu lado e disse:
_ Você não pode chorar em publico, deve ser forte e colocar isso no rosto...
_ O que é isso?
_Isto é uma mascara e todos os doentes a usam.
_ Para que serve?
_Para que ninguém veja quem é você de verdade e que ninguém pense que você não está feliz.
_ Mas eu não estou feliz.
_ Shhhhh! Quieta! Ninguém pode te ouvir dizer isso aqui. Porque o segredo deste vilarejo é você parecer e convencer os outros de que é feliz e de repente você acaba achando que é realmente verdade.
Ariana então colocou uma máscara e fingiu ser feliz, sorriu e a cada dia que passava ia esquecendo o que era a real felicidade, naquele vilarejo as pessoas que podiam, dançavam, as pessoas cantavam musicas tristes e músicas amargas com suas vozes sofridas. A princesinha chorava quando ninguém via e sorria tentando enganar a si mesma com a ilusão de felicidade.
A cada dia as manchas em suas pernas cresciam e ela percebeu que se tornara um deles, um dos doentes. Ariana então chorou. Chorou por ver no que tinha se tornado, Ariana conheceu então a Culpa.
Ali a princesa dançou, cantou e dormiu entre eles e assim acordou.
Alguém olhou para a princesa Ariana e disse:
_Não está na hora de ir para o próximo vilarejo menina?
_ Há um outro vilarejo? Por favor, me diga que é melhor do que esse... Diga que tem remédios lá...
_ Remédios? Hahahaha não, não há remédios lá menina, somente mortos.
_ Mas não estou morta...
_ Não ainda, mas vai estar em pouco tempo se continuar por aqui, decidimos que quem está do jeito que você está agora, deve ir para o próximo vilarejo andando e esperar a morte por lá para não termos que carregar corpos estando todos nós doentes.
_ Mas... Deve haver alguém que possa me curar... Aqui não tem médicos?
_ Médicos? Pensa que está onde menina? Aqui não é o Palácio do Altíssimo Rei... Aqui somos todos esquecidos por Ele.
_ Não... Papai não nos esqueceu. Ele nunca esquece ninguém.
_ Que seja princesinha, mas duvido que Ele esteja pensando em você agora...
Sozinha num canto escuro, olhando bem para as suas feridas Ariana lembrou do Seu Pai, do Seu Rei. Da ultima vez que o vira, Seus olhos sempre tão compreensivos estavam transbordando de lágrimas por ela. Ele sabia, sabia o que ia acontecer pediu que ela não fosse, mas ela não ouviu... Como poderia saber? Como poderia imaginar que acabaria desse jeito? Ariana começou a chorar pensando em como seria bom estar em casa, olhou para o lado e viu a caixinha que Se Pai lhe dera.
Era uma caixinha simples de madeira, aparentemente sem valor, tinha o selo Real e estava endereçada a ela. Ariana pensou em abrir a caixa, pensou varias vezes ao longo do caminho, mas nunca tivera coragem, o Pai dissera que era para quando quisesse voltar para casa, mas como ela poderia voltar? Como voltaria desse jeito? Envergonhada, doente, marcada de diversas formas pelo mundo de fora...
Ariana não abriu a caixa antes, mas abriria agora, era o único jeito, ela precisava. Sentia saudades do Pai. Respirou fundo e abriu a tampa, imediatamente um cheiro suave começou a exalar de dentro fazendo-a sentir bem, tinha cheiro de casa. Ali havia uma carta e algumas coisas, abrindo a carta Ariana, que não se sentia uma princesa havia muito tempo leu:
_ Filha, não sabes o quão feliz estou que tenhas aberto esta carta. Então decidistes voltar? O mundo ai fora não é bem o que você queria não é? Saiba que estou pensando em você todos os dias e sinto muito o que te está acontecendo, Eu não posso ir aí te buscar, tu é quem terás que voltar sozinha, com seus próprios pés assim como chegou aí onde estás, mas Eu Sou seu Pai e te amo tanto que nesta caixa você vai encontrar algumas coisas... Primeiro, Passes o bálsamo que te deixei, assim suportarás viajar de volta mesmo com tuas feridas, quando chegares em casa tratarei delas...
Depois de pegar e passar o bálsamo sobre o corpo Ariana se sentiu bem melhor, era quase como estar curada, Seu Pai realmente lhe dera um grande presente, mas então a moça continuou lendo:
_ Melhor agora minha princesa? Bem tente agora achar umas sandálias que te deixei dentro da caixa, elas vão te desligar desta terra suja em que estás e então comece sua caminhada, comece agora, não espere até amanhã, não espere nem um pouco, tudo o que você vai precisar está ai dentro, e outra coisa... Preciso que você tire esta máscara que tem em teu rosto.
Ariana tocou a máscara que passara a quase fazer parte dela e se perguntou como seu Pai saberia que a estava usando... Era uma pergunta tola. Seu Pai era o Altíssimo Rei e sabia tudo sobre todos. Ariana suspirou, não era nada fácil se humilhar e mostrar seu rosto depois de tudo o que acontecera... Depois de tudo o que tinha feito. Ela não era mais uma princesa não era mais tão pura e doce. Definitivamente não era a mesma pessoa que saiu do palácio um dia...
_ Filha, Eu não desisti de você... Nunca vou desistir você é minha princesa, nunca se esqueça disso, nunca, jamais esqueça que Eu, o Altíssimo Rei, Supremo Senhor de tudo, Amo você e daria tudo o que fosse preciso por você. Sei que está se sentindo suja, que está se sentindo culpada e que sente dor em seu pequeno coração, mas ainda assim você é minha. Não deixe que ninguém, NINGUÉM, te convença do contrário... Por fim lembre-se: Os erros de uma princesa não mudam o fato de ela ser filha do Rei! Agora vai filha, tira essa máscara e volta pra casa, volta pra mim...
Ao ler as ultimas palavras da carta, Ariana chorava e retirou a máscara sem pensar em nada além de ver o sorriso de seu Pai mais uma vez, ela então correu, correu por todo o vilarejo até sua porta de entrada, passou por ele e nunca dormia com os outros, se afastou de todos os que a pudessem tentar enganar... Comia somente o que tinha na caixa, coisas que nunca perdiam sua validade que não se desfaziam ou apodreciam, coisas que o Grande Rei tinha deixado pra ela, aprendeu que o bálsamo do Pai lhe fazia seguir adiante apesar das cicatrizes, apesar de ainda doente, passou pelo segundo vilarejo e as pessoas continuavam perdidas em seus discursos e em suas musicas tristes, mas não Ariana, ela já passara por isso e nunca mais iria voltar, sempre que pensava em desistir de voltar para o Pai, se lembrava das palavras Dele: Os erros de uma princesa não mudam o fato de ela ser filha do Rei! Assim tinha ânimo para continuar, e Ariana correu por mais um vilarejo, neste viu novamente as festas e danças animadas de sempre, mas elas não mais a atraiam, porque agora ela já estava perto, já conseguia ver o castelo e correu com todas as suas forças até estancar surpresa... Seu Pai, o Grande Rei estava a sua espera na porta de casa, seus braços abertos prometiam o melhor de todos os abraços e seu sorriso e lágrimas demonstravam Sua emoção. Ariana recuperou o folego e correu ainda mais, se jogando nos braços do Pai que a apertou forte dizendo:
_ Que saudades tive de ti pequena... Me deixaste preocupado.
_ Desculpe Papai, estou tão arrependida, estou doente e cheia de marcas, perdi a essência dos Teus dons e não sei mais como ainda me chamas de princesa.
_ Quando vais entender filha? Os erros de uma princesa não mudam o fato de ela ser filha do Rei! Não importa o que aconteceu, vou sarar tuas feridas, às vezes vai doer, às vezes vai ser difícil voltar a pensar como Eu, mas com o tempo, Te devolverei os teus Dons e Tu Serás quem Eu sempre sonhei que fosses, este tempo que passaste fora só atrasou um pouco os Meus planos, mas você ainda é minha filha, a menina dos meus olhos e a primeira coisa que vamos mudar em você é esta roupa suja, vamos querida e me deixe te dar roupas novas, dignas da filha amada do Grande Rei...
Ariana estava feliz com o sorriso de Seu Pai, ela sabia que não seria fácil apesar de não entender bem o que Ele planejava fazer, mas ela sabia que não desejava outra coisa de sua vida, era extremamente grata por ter a oportunidade de voltar, por ter recebido de volta sua casa, seu lar, tudo isso por um simples presente que Fez toda a diferença...
A caixinha do Grande Rei.



[De Maíra Carneiro para Ariana Carneiro, a essência Real nunca abandona uma Princesa, basta sabermos que de vez em quando vamos precisar nos humilhar e nos deixar sarar mesmo sem entender os planos do Altíssimo, dedico a você que tem se mostrado Grata por ter sido aceita de volta, assim como eu fui um dia, e ainda sou, todos os dias.]

Agradecimento especial ao meu amigo Marcelo  cuja frase inspirou este conto. Obrigada amigo poeta!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Coração surdo



Queria que você pudesse me ver agora
Que pudesse saber
Não estou eufórica hoje
Não estou radiante
Estou confusa
Você conseguiu isso de mim
Conseguiu  me deixar confusa
Eu tentei não te ver olhando pra mim
Tentei não saber que se sentia assim
Então você chegou com seu sorriso bobo
Então você me fez acreditar de novo
Então me fez gostar de sentir
Mas agora nem sei direito o que sinto
Sei que não tenho direito a você
Sei que não é, ou ainda não é meu
Mas tente explicar isso ao meu coração!
Tente fazê-lo ouvir a razão...
Meu coração não é cego.
Ele é surdo.
Pode ver seu sorriso enviando sinais
Pode ver seus olhos me vendo
Mas não pode ouvir que não é tempo
Não pode ouvir que seus olhos mentem
Que você não está pronto pra mim
E que Deus ainda precisa me moldar
Pra receber você
Mas meu coração é surdo
E eu? Estou perdida em você.

Maia Carneiro

sábado, 10 de março de 2012

Ponto Final


Ponto Final

Comecei tudo
com um simples vocábulo,
no meio da história
vivi certas exclamações,
que foram sucedidas por vírgulas,
que me fizeram interrogar
os por quês da vida.
Quando decidi parar com tudo,
ele me fez dar um ponto seguido,
seguido de reticencias...
...mas só agora, tenho a certeza
de que o melhor a ser feito é...
...dar um ponto final.




Por: Meyre Almeida

quinta-feira, 1 de março de 2012

Um Dia a Menos



Estou te esperando querido, 
E cada dia é um dia a menos, até te encontrar
E cada instante eu imagino,
Que encontrei tuas pegadas em meu caminho,
Que encontrei tuas roupas no meu quarto,
Que encontrei seu sorriso.
Que encontrei teus olhos ligados aos meus...
Mal posso esperar,
Para sorrir com você, 
Para falar com você
E até brigar com você...
Mal posso esperar para fazer as pazes...
Mal posso esperar para ouvir tua voz sussurrando meu nome,
Para te abraçar e ouvir as batidas do teu coraçao aos poucos soarem no ritmo das minhas...
Mal posso esperar para beijar os teus labios...
Mas estou esperando querido...
E cada dia é um dia a menos.

Maia Carneiro

domingo, 19 de fevereiro de 2012

A boneca do Artífice.



Era uma vez uma boneca de cristal, linda que só ela, passeava pela oficina de brinquedos e ninguém a superava em formosura, mas a boneca não estava feliz, ela não queria ser admirada, queria ser amada e aconchegada a uma criança como todas as outras, mas a bonequinha tinha um medo terrível de se quebrar, ela não tinha sido feita para brincar, não tinha sido feito para cair, seu proposito único de existência devia estar em ser observada e elogiada.
Um dia o Artífice Maior, criador de todos os brinquedos a viu triste em sua prateleira e perguntou qual era seu maior sonho, ela O olhou nos olhos e disse:
_ Ah Senhor Artífice... Eu queria ser usada... Mas tenho tanto medo de quebrar, tenho tanto medo de me destruir enquanto faço alguém sorrir. Gostaria de ser uma boneca de pano e de poder abraçar as pessoas e estar perto delas, porque, qual o proposito de uma boneca senão ser o conforto de alguém?
O Artífice a olhou e com Sua grande sabedoria lhe disse:
_ Oh minha querida, você é feita de um material realmente frágil, mas para ser usada, você deve abrir mão de toda essa formosura que tens, não vai mais brilhar e se destacar entre os brinquedos, vai parecer com os outros mas ainda vai ser diferente... Para ser usada, você primeiro vai ter que enfrentar seu maior medo e ser quebrada... Ser quebrada por Mim vou usar somente uma parte tua, e ainda assim vou mudá-la...
_ E que parte vais usar em mim? – disse a boneca meio assustada...
_ Vou lapidar teu coração e depois vou usá-lo vai ser a melhor parte de ti, mas vai estar encoberto debaixo do pano, então vou te usar. Te usar para ser meus braços e abraçar muitas pessoas, vais inclusive consolar algumas lagrimas, alguns vão te desprezar por tua simplicidade e te deixar de lado, outros vão te amar justamente por ela, vais ser uma boneca de pano, macia e com um coração de cristal, mas isso virá depois primeiro precisas ser quebrada e isso é uma decisão que não poderei tomar por ti, tens que escolher por ti mesma abandonar tua formosura e os olhares de distante admiração. O que escolhes boneca?
A pequena boneca pensou e pensou, o medo era muito, medo de quebrar, medo de mesmo depois que se deixasse quebrar as pessoas não quisessem usá-la e ela perdesse a única coisa que tinha que eram os olhares, então olhou nos olhos do Artífice e confiou. Confiou que Ele ia enviá-la que apesar das dificuldades do caminho Ele a usaria para ser Seus braços, ela confiou e então foi um longo processo ser quebrada e lapidada, algumas horas ela pensou em desistir, algumas horas ela pensou em parar, mas o Artífice estava lá... Em cada parte do processo, em cada passo do caminho, seu coração lapidado doeu as vezes, doeu mais do que achou que podia suportar, mas o Artífice estava lá e lhe aplicou unguento... Então ela suportou.
Então uma nova aparência lhe foi dada, toda de pano ela foi costurada, não era mais tão formosa, não brilhava, tinha um sorriso constante e misterioso das bonecas de pano, seus cabelos eram feitos de lã e estavam presos por laços de fita... Sua pele antes fria e reluzente agora era aconchegante e quente... Olhou-se no espelho e quase não se reconheceu, era simples, mas era bonita, bonita aos olhos de quem soubesse olhar, e seu coração se encheu de alegria ao ouvir a sentença do Artífice:
_ Útil!
Era uma única palavra que resumia tudo o que ela sempre quisera ser, sempre quisera ser útil, sempre quisera ser amada, do jeito que somente uma boneca de pano consegue ser...
O Artífice a usou então. E como Ele havia dito ela foi muitas vezes desprezada por sua simplicidade, muita gente a pegou e deixou de lado, mas muita gente a amou justamente por isso, e a cada abraço que recebia seu coração de cristal brilhava de emoção, porque sabia que aquele abraço não era só seu... Era o abraço do Artífice Maior, o abraço do Criador, através dos seus.


Maíra Carneiro para Kelly Vasconcellos [Nem todos vão nos ouvir, nem sempre vai ser fácil o tratamento de Deus, mas quando formos usadas, vamos saber que foi o Criador que nos enviou e vai ser incrível.]


Maia Carneiro

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O Mistério de Zerym - Parte I


Guilhes passou a mão nos cabelos como era de costume, eles caiam em sua fronte constantemente e o deixavam irritado, era o único em Zerym que cortava regularmente os cabelos... Os elfos geralmente deixavam os cabelos longos para refletir sua eternidade, quanto mais longos os cabelos de um elfo mais antigo ele era, portanto mais poderoso e sábio, isso, entre outras coisas o transformava em um mistério. Apressando-se pelo caminho difícil das florestas magicas, Guilhes só pensava no fim de sua missão e no retorno ao lar. Como todo elfo adulto ele tinha um aprendiz este o seguia com dificuldades e quase não conseguia pular por cima de uma arvore caída que lhe chegava ao queixo, sendo que Guilhes, mais experiente saltou sem um mínimo de esforço.
- Ah desculpe Lynue não lembrava de você ai. Precisa de ajuda?
- Não senhor, eu consigo. – Guilhes gostava do garoto, era um adolescente de 600 anos e era calado, mas muito inteligente, gostava do silencio e da inteligência então estava bem com seu aprendiz, Lynue era também muito orgulhoso para um elfo tão jovem, e poderia morrer por isso.
- Tudo bem, mas ande devagar os trolls são fortes e se você não os vir eles te matam com um abraço...
- Quando voltamos pra Zerym?
- Depois que matarmos o Crower.
-  Você quer dizer que sua missão é matar um monstro gigante?
- Sim...
- Tá bom.
Continuaram em silencio, Guilhes não tinha medo de matar monstros que ameaçavam seu povo, Crower era um monstro de espécie desconhecida e origem mais desconhecida ainda, tinha a aparência de um coala, um coala cem vezes maior que o normal e com um chifre saindo do meio da testa, era selvagem e guiado exclusivamente por seus instintos. Guilhes estava lá para caça-lo e não pra lutar com ele. A floresta foi ficando deserta, os animais não se faziam ver e Guilhes parou de sentir a presença das dríades dentro das árvores. Devia estar perto. Até começou a sentir o cheiro de Crower, tinha cheiro de morte. Os elfos não haviam matado o monstro antes porque ele ainda não tinha ameaçado Zerym, mas faziam dois dias que a rainha viúva Guinevere foi atacada enquanto fazia um de seus misteriosos passeios.
- Guilhes?
- Sim, Lynue? 
- Como... Você sabe como a rainha Guinevere ficou viúva? Quer dizer... devíamos ser eternos não é?
- Sim, vocês são Lynue, só que o antigo rei gostava de jogar com o perigo e foi morto por um Elfo negro das terras de Satír, que era mais velho e poderoso do que ele.
- Que loucura... Er... desculpe insultar o Rei antigo Guilhes... – o garoto o olhou temeroso esperando uma repreensão.
- ahahahaha, não por isso Lynue, não era meu rei... cheguei em Zerym quando você devia ter só uns cinquenta anos.
- Então você não nasceu no reino?
- Bem... sim nasci no teu reino mas fui embora quando era ainda um bebe. Cresci no mundo humano e quando era um jovem como você fui viver com os Satír.
- Quer dizer que você eh quase um elfo negro?
- ahahah, pode ser, mas eu conheço o ancião que matou Zenirfe, o rei antigo, é muito difícil tirá-lo do sério. Acho que por isso o novo rei não declarou guerra, sabia que seu pai tinha a maior parte da culpa. Não se desafia um elfo ancião! Nunca.
O garoto ficou quieto. Guilhes achava que ele havia falado muito mais que de costume, o que queria dizer que realmente estava curioso.
- Sabe guardar segredos Lynue?
-  Sim senhor que o sei.
- Bem, guarda um segredo meu?
- Sim senhor ficaria muito feliz. – a expressão solene lhe disse que podia confiar e que isso tornaria o garoto mais confiante e portanto menos passível de morte por burrice.
- Não sou um elfo puro. - O queixo do aprendiz quase encostou-se ao chão com a revelação... Guilhes era o melhor guerreiro que conhecera e pelo pouco que sabia era também muito velho, como podia não ser puro? – calma garoto não vou envelhecer e morrer na sua frente ahahahaah, os mestiços vivem anos e anos, e eu sou imortal, ou serei daqui há um ano somente.
- Que quer dizer Guilhes?
- Isso não posso te dizer ainda Lynue.
- Ah.
- Um dia saberá, mas ainda não... Vamos Lynue... Está escutando? Crower está comendo.

Guilhes continuou avançando até chegar a beira de um precipício a cabeça do monstro estava quase no mesmo nível dele por que se encontrava no fundo. Estava comendo uma quimera e o estomago do guerreiro se revirou com a imagem, não era nada bonito ver esse bicho comer. Pegou o arco e uma das flechas élficas, olhou o aprendiz e pediu que ficasse bem parado, mirou no lado do Crower bem atrás da orelha e disparou...

***

- Guilherme!
- Sim mamãe?
O rapaz de aparentemente 16 anos correu até  a cozinha onde estava sua mãe e roubou um pedaço de carne da panela que ela remexia, sua mão doeu por causa da comida quente e ele pôs rápido na boca queimando-a também, depois sorriu para sua mãe esperando um “bem feito” que sempre vinha em vez disso ela disse:
- Filho você tem crescido rápido pra alguém de sua espécie e isso é porque eu mantive você comigo no mundo humano até hoje. Você tem vinte anos e ainda parece um adolescente porque é assim que acontece com os elfos... Você vai ter que ir...
- Ir aonde mãe? Você mesma me disse que não posso ir pra junto do meu pai, você mesma disse que era perigoso.
- Sim Guilherme mas está na hora de você ficar com pessoas magicas... Como você, então vou te enviar para um amigo de seu pai, um elfo negro das terras de Satír, seu nome é Hyfree.
- Elfos negros? Mãe, não sei nada sobre elfos, negros ou não. Sou somente um adolescente tentando ser normal, não sou daqui, mas também não pertenço lá.
- Sim que pertence. Você é filho de...
Guilhes abriu os olhos... Seu sonho foi interrompido pela voz de Guinevere, Alteza viúva de Zerym.
- Olá Guilhes...
- Olá Guinevere...
- Não majestade?
- Não, não majestade... não é minha rainha é?
- Hmm. Matou Crower? – a mulher entrou no quarto de Guilhes e sentou-se na poltrona pouco afastada da cama. Guilhes recostou-se na cama com os braços cruzados acima da cabeça e riu.
- Eu sei Guinevere.
- O que você sabe? Só estou preocupada com os elfos de Zerym, vim fazer-te uma pergunta.
- Pode parar agora Majestade – ele disse a ultima palavra num tom sarcástico que surpreendeu a rainha viúva. – Você é muito... Real para vir até meu quarto saber algo que eu te contaria em algumas horas de qualquer forma. Está aqui pra me sondar... Sondar e saber o que eu sei.
- Quem é você?
- Em breve você saberá. Estamos convivendo juntos há muito tempo... mais de quinhentos anos. Porque somente agora quer saber quem sou?
- Sempre quis saber quem você era. Mas nunca me pareceu muito importante realmente... Bem... enquanto não se meter comigo. Estará seguro Guilhes. Depois disso, já não garanto nada...
Enquanto a rainha viúva se levantava e partia Guilhes começou a rir e fez soar audivelmente a ela:
- Uma ameaça real... Agora já fiz de tudo nesse lugar. Ahahahaha...

Continua...

Maia Carneiro
 

SimplesMente Maia e Mey Template by Ipietoon Cute Blog Design